Choque Cardiogênico na IC Descompensada: Manejo Farmacológico

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 68 anos, portadora de miocardiopatia chagásica, com várias internações no último ano em decorrência de insuficiência cardíaca descompensada, dá entrada na Unidade de emergência com quadro de sonolência, fraqueza, mal estar geral, dispneia aos mínimos esforços, ortopnéia e dispneia paroxística noturna. Refere, também, redução do débito urinário. Ao exame físico, encontra-se consciente, mas sonolenta e lentificada, apresentando turgência julgular a 45º, edema de MMII 2+/4+, PA 80 x 45 mmHg, tempo de enchimento capilar (TEC) lentificado e, à ausculta respiratória, crepitações em 1/3 inferior, bilateralmente. Qual conduta farmacológica é a mais adequada?

Alternativas

  1. A) Furosemida, morfina e captopril.
  2. B) Dobutamina, nitroprussiato de sódio e furosemida.
  3. C) Hidralazina, monocordil, furosemida e espironolactona.
  4. D) Noradrenalina e furosemida.

Pérola Clínica

IC descompensada + hipotensão (choque cardiogênico) + congestão → Dobutamina (inotrópico), Nitroprussiato (vasodilatador) e Furosemida (diurético).

Resumo-Chave

O quadro clínico de insuficiência cardíaca descompensada com hipotensão (choque cardiogênico), sinais de baixo débito (sonolência, fraqueza, TEC lentificado, oligúria) e congestão pulmonar (dispneia, crepitações, turgência jugular) exige uma abordagem farmacológica que combine suporte inotrópico, redução da pós-carga e diurese.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) descompensada é uma das principais causas de internação hospitalar e representa um desafio clínico significativo. Pacientes com miocardiopatia chagásica, como no caso, frequentemente evoluem com disfunção ventricular grave e são propensos a episódios de descompensação. O quadro apresentado, com hipotensão, sinais de baixo débito (sonolência, fraqueza, oligúria, TEC lentificado) e congestão pulmonar (dispneia, ortopneia, DPN, crepitações, turgência jugular), é compatível com choque cardiogênico. O choque cardiogênico é uma síndrome de hipoperfusão tecidual causada por disfunção cardíaca primária, resultando em débito cardíaco inadequado para as necessidades metabólicas. A fisiopatologia envolve uma espiral viciosa de baixo débito, ativação neuro-hormonal e isquemia miocárdica. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de hipotensão e sinais de hipoperfusão, frequentemente acompanhados de congestão. O tratamento farmacológico visa restaurar a perfusão orgânica e aliviar a congestão. A dobutamina é um inotrópico de escolha para aumentar a contratilidade e o débito cardíaco em pacientes hipotensos. O nitroprussiato de sódio, um vasodilatador potente, pode ser usado para reduzir a pré e pós-carga, melhorando a função ventricular, desde que a pressão arterial permita. A furosemida é essencial para promover a diurese e reduzir a congestão pulmonar e sistêmica. A combinação desses agentes é crucial para otimizar a hemodinâmica e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque cardiogênico em pacientes com IC descompensada?

Sinais de choque cardiogênico incluem hipotensão persistente, sinais de hipoperfusão orgânica (alteração do estado mental, oligúria, extremidades frias, TEC lentificado) e sinais de congestão pulmonar.

Por que a dobutamina é indicada neste cenário?

A dobutamina é um agente inotrópico positivo que aumenta a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco, sendo indicada em pacientes com baixo débito e hipotensão na insuficiência cardíaca descompensada.

Qual o papel do nitroprussiato de sódio e da furosemida?

O nitroprussiato de sódio é um vasodilatador arterial e venoso que reduz a pré e pós-carga, melhorando o débito cardíaco. A furosemida é um diurético de alça que combate a congestão pulmonar e sistêmica, aliviando os sintomas.

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