UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2015
Assinale a alternativa INCORRETA sobre o tratamento farmacológico da insuficiência cardíaca crônica.
Digoxina na IC → indicada para controle de sintomas em FEVE reduzida, não para FEVE < 60% como critério isolado ou como primeira linha.
A digoxina é um inotrópico positivo e cronotrópico negativo, indicada para pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) sintomáticos, geralmente em classes funcionais mais avançadas (NYHA III-IV), e não como tratamento de primeira linha ou apenas por FEVE < 60%. Seu uso visa melhora sintomática e redução de hospitalizações, mas não impacta a mortalidade.
A insuficiência cardíaca crônica (ICC) é uma síndrome clínica complexa caracterizada por sintomas como dispneia e fadiga, causados por uma alteração estrutural ou funcional cardíaca que resulta em redução do débito cardíaco ou pressões de enchimento elevadas. O tratamento farmacológico da ICC, especialmente com fração de ejeção reduzida (ICFEr), é um pilar fundamental para melhorar a qualidade de vida, reduzir hospitalizações e prolongar a sobrevida dos pacientes. As diretrizes atuais preconizam uma terapia baseada em evidências que inclui inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), betabloqueadores (carvedilol, bisoprolol, metoprolol succinato) e antagonistas dos receptores de mineralocorticoides (espironolactona, eplerenona). Essas classes de medicamentos atuam em diferentes vias fisiopatológicas, como o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o sistema nervoso simpático, para reverter o remodelamento cardíaco e melhorar a função ventricular. A hidralazina e nitratos podem ser uma opção para pacientes afrodescendentes ou intolerantes a IECA/BRA. A digoxina, um glicosídeo cardíaco, tem um papel mais limitado no tratamento da ICFEr. Embora possa melhorar os sintomas e reduzir hospitalizações, ela não demonstrou impacto na mortalidade. Sua indicação é para pacientes que permanecem sintomáticos (geralmente NYHA III-IV) apesar da terapia otimizada com as classes de medicamentos mencionadas anteriormente. A afirmação de que a digoxina deve ser usada em pacientes com FEVE < 60% como critério isolado ou como tratamento de primeira linha é incorreta, pois a FEVE < 60% não é o único critério e seu uso é secundário a outras terapias mais eficazes na redução de mortalidade.
As classes essenciais incluem inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), betabloqueadores (bisoprolol, carvedilol, metoprolol), antagonistas dos receptores de mineralocorticoides (espironolactona, eplerenona) e inibidores do receptor de angiotensina/neprilisina (ARNI).
A digoxina é indicada para pacientes com ICFEr que permanecem sintomáticos (NYHA III-IV) apesar da terapia otimizada com IECA/BRA/ARNI, betabloqueadores e antagonistas dos receptores de mineralocorticoides. Seu objetivo é melhorar os sintomas e reduzir hospitalizações, mas não a mortalidade.
Betabloqueadores como bisoprolol, carvedilol e metoprolol são fundamentais na ICFEr, pois reduzem a mortalidade e morbidade ao modular o sistema nervoso simpático, diminuir a frequência cardíaca, melhorar a função ventricular e prevenir o remodelamento cardíaco adverso.
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