USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher, 65 anos, com hipertensão de difícil controle, dislipidemia e obesidade. Queixa-se de dispneia aos esforços há 4 meses, edema de membros inferiores e despertares noturnos por falta de ar. Exame físico: BEG, corada e hidratada. Ritmo cardíaco regular em 3 tempos com presença de B3; Bulhas normofonéticas. FC: 76 bpm. PA: 172 x 100 mmHg. Som vesicular abolido em bases de hemitoráces, com estertores finos ao fim da inspiração em regiões infraescapulares. FR: 20 ipm. Edema de membros inferiores (2/4+). Radiografia de tórax: pequeno derrame pleural bilateral, trama broncovascular proeminente e cardiomegalia. Qual é a alteração mais provável?
ICC (dispneia, edema, B3, estertores, cardiomegalia, derrame pleural) → ↑ Pressão na artéria pulmonar (congestão).
Os sintomas e sinais apresentados (dispneia, edema, B3, estertores, derrame pleural, cardiomegalia) são clássicos de insuficiência cardíaca. A congestão pulmonar e sistêmica resultante do mau funcionamento cardíaco leva ao aumento das pressões nas câmaras cardíacas e, consequentemente, na artéria pulmonar.
A insuficiência cardíaca congestiva (ICC) é uma síndrome clínica complexa resultante de qualquer alteração estrutural ou funcional do enchimento ventricular ou da ejeção de sangue. É uma das principais causas de morbimortalidade em idosos, com prevalência crescente devido ao envelhecimento populacional e à maior sobrevida a doenças cardiovasculares. A apresentação clínica é caracterizada por sinais e sintomas de congestão pulmonar e/ou sistêmica, como dispneia e edema. A fisiopatologia da ICC envolve uma cascata de eventos neuro-hormonais e remodelamento cardíaco. No caso descrito, a hipertensão de difícil controle, dislipidemia e obesidade são fatores de risco importantes que contribuem para a disfunção cardíaca. A dispneia, edema, B3, estertores e derrame pleural são manifestações da congestão, que ocorre devido ao aumento das pressões de enchimento nas câmaras cardíacas. Esse aumento de pressão se transmite retrogradamente para a circulação pulmonar, elevando a pressão na artéria pulmonar (hipertensão pulmonar pós-capilar) e causando extravasamento de líquido para os pulmões e espaços pleurais. O diagnóstico da ICC é clínico, complementado por exames como radiografia de tórax (cardiomegalia, congestão, derrame), eletrocardiograma e ecocardiograma. O tratamento visa aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e reduzir hospitalizações e mortalidade, com uso de diuréticos, inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores e antagonistas do receptor de mineralocorticoide. A identificação da pressão elevada na artéria pulmonar é um achado chave que reflete a gravidade da congestão e orienta o manejo.
Os principais sinais e sintomas incluem dispneia (aos esforços, paroxística noturna, ortopneia), fadiga, edema de membros inferiores, tosse, distensão jugular, hepatomegalia, estertores pulmonares e terceira bulha cardíaca (B3).
A disfunção cardíaca causa aumento da pressão nas câmaras cardíacas esquerdas, que se transmite retrogradamente para as veias pulmonares e capilares pulmonares. Isso eleva a pressão hidrostática, levando ao extravasamento de líquido para o interstício pulmonar (estertores) e para o espaço pleural (derrame pleural).
Na insuficiência cardíaca, o aumento crônico das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo e, consequentemente, da pressão nas veias pulmonares, leva a um aumento da pressão na artéria pulmonar (hipertensão pulmonar pós-capilar), um achado comum e importante na progressão da doença.
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