UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015
Um dos seus pacientes, um idoso, hipertenso de longa data, já em uso de Losartana 100 mg/dia, chega ao ambulatório queixando-se de dispneia aos esforços habituais que melhora ao repouso, associada a edema maleolar bilateral. Refere também o aparecimento de uma tosse seca durante a noite e há uma semana vem acordando com sensação de afogamento no meio da noite. Nega alterações urinárias. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, hidratado, eupneico no repouso, acianótico e afebril. Ausculta cardíaca com presença de B3, ausculta pulmonar com estertores crepitantes finos, bibasais. Abdome sem alteração. Presença de turgescência jugular patológica. FC= 98bpm, FR= 18 irpm, PA= 130 x 80. Sobre esse quadro, é correto afirmar:
IC pelos Critérios de Framingham + congestão → diurético de alça + antagonista aldosterona, após estabilização, iniciar betabloqueador gradual.
O paciente apresenta múltiplos critérios maiores e menores de Framingham para insuficiência cardíaca (DPN, B3, estertores, turgescência jugular, edema). O tratamento inicial para sintomas congestivos inclui diuréticos de alça e antagonistas da aldosterona, com betabloqueadores sendo introduzidos gradualmente após a estabilização.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa que resulta de qualquer alteração estrutural ou funcional do enchimento ventricular ou da ejeção de sangue. É uma das principais causas de morbimortalidade em idosos. O diagnóstico clínico é frequentemente baseado nos Critérios de Framingham, que combinam sinais e sintomas maiores e menores para aumentar a acurácia diagnóstica, embora o ecocardiograma seja essencial para a confirmação e classificação da fração de ejeção. O paciente descrito apresenta múltiplos sinais e sintomas de congestão, como dispneia paroxística noturna, edema maleolar, estertores crepitantes e turgescência jugular, além da presença de B3, que são critérios importantes para o diagnóstico de IC. A Losartana já em uso é um bloqueador do receptor de angiotensina, parte da terapia otimizada para IC com fração de ejeção reduzida. O manejo da IC descompensada com sintomas congestivos prioriza o alívio da congestão. Isso é feito com diuréticos de alça (como a furosemida) e, se indicado, antagonistas da aldosterona (como a espironolactona), que também têm benefícios na mortalidade. Os betabloqueadores (como carvedilol, metoprolol succinato, bisoprolol) são fundamentais na IC com fração de ejeção reduzida, mas devem ser iniciados em doses baixas e titulados gradualmente APÓS a estabilização dos sintomas congestivos, para evitar piora aguda da função cardíaca. A digoxina tem um papel mais restrito, principalmente para controle de frequência em fibrilação atrial ou em pacientes refratários.
Critérios maiores incluem dispneia paroxística noturna, turgência jugular, estertores, cardiomegalia, edema agudo de pulmão, B3, aumento da pressão venosa central, refluxo hepatojugular e perda de peso com tratamento. Menores incluem edema maleolar, tosse noturna, dispneia aos esforços, hepatomegalia, derrame pleural, taquicardia.
Em pacientes com sintomas congestivos, diuréticos de alça e antagonistas da aldosterona são prioritários para aliviar a congestão. Betabloqueadores devem ser introduzidos gradualmente apenas após a estabilização clínica, para evitar piora da descompensação.
A digoxina tem um papel limitado no tratamento da IC, principalmente para controle de frequência em fibrilação atrial com IC ou em pacientes sintomáticos apesar da terapia otimizada. Não é uma droga de primeira linha para iniciar o tratamento da IC com fração de ejeção reduzida.
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