SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um paciente de 60 anos de idade apresentou dispneia progressiva aos esforços, ortopneia e edema de membros inferiores. O exame físico mostrou B3 presente e turgência jugular elevada. A radiografia de tórax evidenciou cardiomegalia difusa. Nesse caso, qual é o exame de escolha para avaliar com precisão as funções sistólica e diastólica do ventrículo esquerdo nesse paciente?
Dispneia + B3 + cardiomegalia → Ecocardiograma para avaliar FEVE e função diastólica.
O ecocardiograma transtorácico é o exame padrão-ouro inicial para quantificar a fração de ejeção e classificar a insuficiência cardíaca em preservada, levemente reduzida ou reduzida.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração em bombear sangue adequadamente para suprir as demandas metabólicas. O diagnóstico baseia-se nos critérios de Framingham ou Boston, mas a confirmação diagnóstica e a classificação funcional exigem exames de imagem. O ecocardiograma transtorácico destaca-se pela sua disponibilidade, baixo custo e riqueza de dados, permitindo a análise da contratilidade segmentar, volumes cavitários e pressões de enchimento. Na prática clínica, a distinção entre disfunção sistólica e diastólica é crucial, pois as estratégias terapêuticas divergem significativamente. Enquanto a ICFER possui evidências robustas para o uso de quadrupla terapia (IECA/BRA/ARNI, betabloqueadores, antagonistas de mineralocorticoides e iSGLT2), a ICFEP foca no controle de comorbidades e, mais recentemente, no uso de iSGLT2. Portanto, o ecocardiograma não é apenas um exame diagnóstico, mas um guia para a conduta baseada em evidências.
O ecocardiograma é fundamental para determinar a Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE), permitindo classificar a insuficiência cardíaca em ICFER (reduzida), ICFEP (preservada) ou ICFELR (levemente reduzida). Além disso, avalia alterações estruturais, como hipertrofia e dilatação de câmaras, e a função diastólica através do Doppler tecidual, sendo essencial para o planejamento terapêutico e prognóstico.
Não. Embora a radiografia de tórax seja útil para identificar cardiomegalia e sinais de congestão pulmonar (como linhas B de Kerley), ela não fornece informações precisas sobre a função sistólica ou diastólica. O ecocardiograma é superior por oferecer medidas hemodinâmicas e estruturais diretas do miocárdio e das válvulas cardíacas.
A terceira bulha (B3) é um sinal clássico de enchimento ventricular rápido em um ventrículo dilatado ou complacente, frequentemente associado à disfunção sistólica e sobrecarga de volume. Na presença de sintomas de insuficiência cardíaca, a B3 tem alta especificidade para o diagnóstico de IC com fração de ejeção reduzida.
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