Tratamento da ICFER: O Papel da Dapagliflozina

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 55 anos, portador de Insuficiência Cardíaca com fração de ejeção de 22% decorrente de doença de Chagas, é trazido ao hospital por familiares por quadro de dispneia e confusão mental. Faz uso domiciliar de Furosemida 40mg ao dia, Carvedilol 25mg a cada 12 horas, Sacubitril-Valsartana 200mg a cada 12 horas e Espironolactona 25mg ao dia. Ao exame físico, o paciente apresenta-se com escala de coma de Glasgow com 10 pontos, Saturação de O2 88%, Pressão Arterial 72x44 mmHg e Frequência Cardíaca de 210bpm. Após ser estabilizado e permanecer internado por 1 semana, o paciente está mantendo uma frequência cardíaca de 60bpm, em ritmo sinusal e com pressão arterial controlada. Você decide pela alta médica, qual dos medicamentos abaixo poderia ser adicionado ao esquema atual do paciente para redução de mortalidade?

Alternativas

  1. A) Amiodarona.
  2. B) Enalapril.
  3. C) Ivabradina.
  4. D) Dapagliflozina.
  5. E) Digoxina.

Pérola Clínica

ICFER (FE < 40%) → Terapia quádrupla (Betabloq + iSGLT2 + Sacubitril/Val + Espirono) ↓ mortalidade.

Resumo-Chave

A dapagliflozina (iSGLT2) é um dos quatro pilares do tratamento da ICFER, demonstrando redução de mortalidade cardiovascular e hospitalizações, independente da presença de diabetes.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) exige uma abordagem terapêutica agressiva para modificar a história natural da doença. A transição da terapia tripla para a quádrupla, com a inclusão dos inibidores de SGLT2, representou um marco na cardiologia recente. No caso de pacientes com cardiomiopatia chagásica, que frequentemente apresentam FE muito baixa e alto risco de arritmias, a otimização medicamentosa pós-estabilização de quadros de descompensação (como o choque cardiogênico ou arritmias graves) é vital para prevenir novas internações e reduzir a morte súbita e por falência de bomba.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos compõem a terapia quádrupla da ICFER?

A terapia farmacológica padrão-ouro para IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) consiste em quatro classes de medicamentos que demonstraram redução de mortalidade: 1) Betabloqueadores (Carvedilol, Metoprolol ou Bisoprolol); 2) Antagonistas do receptor de mineralocorticoide (Espironolactona); 3) Inibidores da neprilisina e do receptor de angiotensina (Sacubitril-Valsartana) ou IECA/BRA; e 4) Inibidores do SGLT2 (Dapagliflozina ou Empagliflozina).

Por que usar Dapagliflozina em pacientes não diabéticos com IC?

Estudos como o DAPA-HF demonstraram que a Dapagliflozina reduz significativamente o risco de morte cardiovascular e o agravamento da insuficiência cardíaca em pacientes com ICFER, independentemente de terem diabetes tipo 2. Os benefícios parecem advir de efeitos hemodinâmicos (natriurese, redução de pré e pós-carga), metabólicos e de proteção renal, consolidando-a como pilar fundamental no tratamento da IC.

Como manejar a IC na cardiopatia chagásica?

O tratamento da insuficiência cardíaca na doença de Chagas segue as mesmas diretrizes da ICFER de outras etiologias, focando na inibição neuro-humoral. No entanto, deve-se ter cautela com bradicardias e distúrbios de condução, que são muito comuns em pacientes chagásicos, podendo limitar a titulação de betabloqueadores. A introdução de iSGLT2 como a Dapagliflozina é segura e recomendada para melhorar o prognóstico desses pacientes.

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