Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021
Caso clínico 1A4-IUma paciente de 63 anos de idade compareceu à emergência hospitalar com queixa de dispneia aos esforços menores que os habituais havia três dias. Ela usava diariamente furosemida 40 mg, enalapril 20 mg, bisoprolol 10 mg e espironolactona 25 mg. Ao exame físico, apresentava-se afebril, com extremidades quentes, normocorada, frequência cardíaca de 68 bpm, pressão arterial de 126 mmHg × 72 mmHg, turgência jugular a 30º e estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares, o ritmo cardíaco estava regular em três tempos (terceira bulha) e não havia sopros. O restante do exame físico e os exames laboratoriais não revelaram anormalidades significativas. O eletrocardiograma revelou somente alterações difusas da repolarização ventricular, e o ecocardiograma demonstrou fração de 37%.O provável resultado do peptídeo natriurético cerebral (BNP em pg/mL) para a paciente do caso clínico 1A4-I é
Dispneia + B3 + Estertores + JVP → IC Descompensada → BNP > 400 pg/mL.
O BNP é um biomarcador de estiramento miocárdico com alto valor preditivo negativo; em pacientes sintomáticos com congestão clínica evidente (Perfil B), valores acima de 400 pg/mL confirmam a descompensação aguda.
A Insuficiência Cardíaca Descompensada (ICD) é uma das principais causas de hospitalização em idosos. O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Framingham ou Boston, mas os peptídeos natriuréticos (BNP e NT-proBNP) tornaram-se ferramentas indispensáveis na sala de emergência para diferenciar a dispneia de origem cardíaca da pulmonar. O BNP é secretado pelos ventrículos em resposta ao aumento da tensão diastólica final e estiramento das fibras miocárdicas. No caso clínico apresentado, a paciente possui sinais clássicos de congestão sistêmica (turgência jugular) e pulmonar (estertores e dispneia), além de evidência de disfunção sistólica (FE 37% e B3). O perfil hemodinâmico é o 'Quente e Úmido' (Perfil B), o mais comum nas emergências. O tratamento envolve diureticoterapia venosa e otimização das medicações modificadoras de doença, como os betabloqueadores e inibidores da ECA, uma vez estabilizada a volemia.
Na emergência, para pacientes com dispneia aguda, um valor de BNP > 400 pg/mL sugere fortemente o diagnóstico de Insuficiência Cardíaca Descompensada. Valores abaixo de 100 pg/mL têm um excelente valor preditivo negativo, tornando o diagnóstico de IC improvável. Valores entre 100 e 400 pg/mL constituem uma 'zona cinzenta' que exige correlação clínica estreita e avaliação de diagnósticos diferenciais como TEP ou DPOC exacerbado.
A terceira bulha (B3) é um sinal clássico de sobrecarga de volume e disfunção ventricular sistólica. Ela ocorre no início da diástole, durante a fase de enchimento ventricular rápido, e é altamente específica para o diagnóstico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida em pacientes adultos com sintomas de congestão.
A interpretação do BNP deve ser cautelosa em populações específicas: pacientes obesos tendem a apresentar níveis falsamente baixos de BNP devido à menor liberação e maior depuração pelo tecido adiposo. Já pacientes com insuficiência renal crônica apresentam níveis basalmente elevados de BNP e NT-proBNP devido à redução da depuração renal, exigindo pontos de corte mais altos para o diagnóstico de descompensação aguda.
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