ICFER: Otimização do Tratamento com 4 Pilares Essenciais

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Paciente com 62 anos, hipertensa em uso de losartana e hidroclorotiazida em dose plena e diabética em uso do Glifage XR® 2g/dia. Nos últimos meses, vinha se sentindo cansada aos esforços. Seu médico assistente resolveu solicitar um ecocardiograma que mostrou uma fração de ejeção de 42%. Ao exame físico apresentava PA de 140x90mmHg, FC:88bpm, FR:16irpm, ausculta cardiopulmonar normal, sem edema de membros inferiores. HBA1C: 7,6%, Cr:1,0mg/dL, K:4,5mg/dL, ClCr:60ml//min/1.73m² microalbuminuria de 100mg/g. Assinale a alternativa que contêm a melhor conduta para a paciente seria acrescentar:

Alternativas

  1. A) dapaglifozina, carvedilol e epironolactona.
  2. B) carvedilol, espironolactona e glibenclamida.
  3. C) carvedilol, espironolactona e suspender hidroclorotiazida.
  4. D) dapaglifozina e carvedilol e trocar hidroclorotiazida por furosemida.

Pérola Clínica

ICFER + DM2 + HAS: Otimizar com 4 pilares: iSGLT2, BB, IECA/BRA, ARM.

Resumo-Chave

A paciente apresenta insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) e comorbidades como hipertensão e diabetes. O tratamento da ICFER deve seguir os quatro pilares fundamentais: inibidor do SGLT2 (dapaglifozina), betabloqueador (carvedilol), inibidor da ECA/BRA (losartana já em uso) e antagonista do receptor mineralocorticoide (espironolactona). A dapaglifozina é indicada independentemente do controle glicêmico na ICFER.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo. O manejo da ICFER evoluiu significativamente, e as diretrizes atuais preconizam uma terapia quádrupla para otimizar os desfechos. Os quatro pilares do tratamento da ICFER incluem: 1) Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) ou inibidores do receptor de angiotensina/neprilisina (ARNI); 2) Betabloqueadores (BB), como carvedilol, metoprolol succinato ou bisoprolol; 3) Antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARM), como espironolactona ou eplerenona; e 4) Inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2), como dapaglifozina ou empagliflozina. Cada classe atua em diferentes vias fisiopatológicas, promovendo melhora sintomática, redução de hospitalizações e mortalidade. No caso da paciente, que já usa losartana (BRA), a adição de carvedilol, espironolactona e dapaglifozina completa a terapia quádrupla, abordando a ativação neuro-hormonal e os mecanismos de remodelamento cardíaco. A dapaglifozina, em particular, tem um papel crucial na ICFER, independentemente do status diabético, devido aos seus benefícios cardiovasculares e renais. A compreensão e aplicação desses pilares são essenciais para o residente, garantindo o melhor cuidado para pacientes com ICFER e suas comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro pilares do tratamento da ICFER?

Os quatro pilares do tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) são: inibidores da ECA/BRA/ARNI, betabloqueadores, antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARM) e inibidores do SGLT2 (como a dapaglifozina).

Por que a dapaglifozina é indicada na ICFER, mesmo sem diabetes?

A dapaglifozina, um inibidor do SGLT2, demonstrou reduzir significativamente o risco de hospitalizações por IC e mortalidade cardiovascular em pacientes com ICFER, independentemente da presença de diabetes mellitus, devido a mecanismos que vão além do controle glicêmico.

Qual o papel do carvedilol e da espironolactona na ICFER?

O carvedilol (betabloqueador) reduz a mortalidade e morbidade na ICFER ao bloquear a ativação neuro-hormonal e melhorar a função cardíaca. A espironolactona (ARM) também reduz mortalidade e hospitalizações, atuando no remodelamento cardíaco e na fibrose, além de ter um efeito diurético leve.

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