HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2023
Um paciente de 60 anos de idade com diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva é submetido a exame ecocardiográfico que mostra diminuição da fração de ejeção sistólica do ventrículo esquerdo. Nesse caso, visando a reduzir o risco de mortalidade, a medicação mais apropriada a ser prescrita é
ICFEr: IECA (ou BRA/ARNI) são a base do tratamento para reduzir mortalidade e remodelamento cardíaco.
Em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) são medicamentos de primeira linha que comprovadamente reduzem a mortalidade e a morbidade. Eles atuam bloqueando o sistema renina-angiotensina-aldosterona, prevenindo o remodelamento cardíaco adverso e melhorando a função ventricular.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo. A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), definida por uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 40%, é uma das formas mais comuns e está associada a alta morbimortalidade. O manejo dessa condição é um pilar da cardiologia e da clínica médica, com foco na melhoria da qualidade de vida e, crucialmente, na redução da mortalidade. O tratamento da ICFEr baseia-se em medicamentos que modulam neuro-hormônios e atuam no remodelamento cardíaco. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) são considerados a pedra angular do tratamento, juntamente com os betabloqueadores e os antagonistas dos receptores mineralocorticoides. Os IECA, ao bloquear o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), promovem vasodilatação, reduzem a retenção de sódio e água e atenuam o remodelamento ventricular adverso, resultando em melhora significativa da sobrevida e redução de hospitalizações. Para residentes, é imperativo conhecer as classes de medicamentos que comprovadamente alteram o curso natural da ICFEr. A introdução precoce e a titulação adequada de IECA (ou bloqueadores do receptor da angiotensina - BRA, ou inibidores do receptor da angiotensina-neprilisina - ARNI, como sacubitril/valsartana) são fundamentais. Enquanto diuréticos e digoxina são importantes para o controle sintomático, eles não conferem benefício de mortalidade. Dominar essa farmacoterapia é essencial para otimizar o tratamento e o prognóstico dos pacientes com ICFEr.
Os IECA inibem a enzima conversora de angiotensina, bloqueando a conversão de angiotensina I em angiotensina II. Isso leva à vasodilatação, redução da retenção de sódio e água, e inibição do remodelamento cardíaco e vascular, diminuindo a pré e pós-carga e melhorando a função cardíaca.
Outras classes que comprovadamente reduzem a mortalidade incluem os betabloqueadores (carvedilol, metoprolol succinato, bisoprolol), antagonistas dos receptores de mineralocorticoides (espironolactona, eplerenona) e, mais recentemente, os inibidores do receptor da angiotensina-neprilisina (ARNI, como sacubitril/valsartana) e os inibidores do SGLT2.
Diuréticos (como furosemida) são indicados para alívio sintomático da congestão (dispneia, edema), mas não reduzem a mortalidade. A digoxina pode ser usada para controle de sintomas em pacientes com ICFEr que permanecem sintomáticos apesar da terapia otimizada, especialmente aqueles com fibrilação atrial, mas também não reduz a mortalidade.
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