ICFER: Otimização Terapêutica e Uso de Espironolactona

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 68 anos, ex-tabagista, portador de hipertensão arterial e infarto prévio de parede anterior há 6 anos, é acompanhado em ambulatório de cardiologia. Apresenta dispneia progressiva aos esforços há 12 meses, atualmente para atividades leves (NYHA III). Refere ortopneia e episódios de dispneia paroxística noturna. Nega angina atual. Ao exame físico: PA: 108x70 mmHg, FC: 78 bpm, ritmo regular, estertores crepitantes em bases pulmonares, turgência jugular 2+/4, edema maleolar bilateral 2+/4. Exames complementares recentes: Ecocardiograma: fração de ejeção do VE: 28%, VE dilatado, disfunção sistólica difusa, valvas sem alterações significativas. Laboratório: creatinina: 1,2 mg/dL, K+: 4,5 mEq/L, BNP: 1.850 pg/mL. Medicações atuais: carvedilol 25 mg 12/12 h, enalapril 10 mg 12/12 h, furosemida 40 mg/dia. Qual é o próximo passo terapêutico mais adequado para otimizar o tratamento desse paciente?

Alternativas

  1. A) Suspender o enalapril e manter apenas betabloqueador e diurético de alça.
  2. B) Associar espironolactona à terapia atual.
  3. C) Introduzir dapagliflozina apenas se o paciente apresentar diagnóstico de diabetes mellitus.
  4. D) Indicar implante imediato de CDI, mesmo sem otimização da terapia medicamentosa.
  5. E) Indicar ressincronização cardíaca (TRC) imediatamente, sem avaliação de QRS ou de terapia otimizada

Pérola Clínica

ICFER sintomática (NYHA II-IV) + FEVE ≤ 35% + IECA/BRA + BB → Associar Espironolactona.

Resumo-Chave

Pacientes com ICFER que permanecem sintomáticos apesar do uso de IECA/BRA e betabloqueador devem receber um antagonista de mineralocorticoide para reduzir mortalidade e hospitalizações.

Contexto Educacional

O tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER) evoluiu drasticamente com a consolidação da terapia quadrupla. O bloqueio neuro-hormonal através do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema nervoso simpático é a base para reverter o remodelamento cardíaco. A espironolactona atua bloqueando os efeitos deletérios da aldosterona no miocárdio, como a fibrose e a disfunção endotelial. No caso clínico apresentado, o paciente já utiliza doses de carvedilol e enalapril, mas mantém-se sintomático (NYHA III) e com FEVE muito reduzida (28%). A adição da espironolactona é o passo subsequente imediato, visto que o potássio e a creatinina permitem o uso seguro. A introdução de iSGLT2 também seria correta, mas a questão foca na sequência clássica de otimização terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para iniciar espironolactona na ICFER?

De acordo com as diretrizes atuais, a espironolactona (ou eplerenona) é indicada para pacientes com ICFER (FEVE ≤ 35%) que permanecem sintomáticos (NYHA II-IV) apesar do tratamento otimizado com IECA (ou BRA/sacubitril-valsartana) e betabloqueador. É fundamental que o paciente apresente função renal adequada (creatinina < 2,5 mg/dL em homens ou < 2,0 mg/dL em mulheres) e níveis de potássio sérico < 5,0 mEq/L para evitar complicações graves como hipercalemia.

Qual o papel dos iSGLT2 no tratamento da ICFER?

Os inibidores do SGLT2 (como dapagliflozina e empagliflozina) tornaram-se pilares do tratamento da ICFER, independentemente da presença de Diabetes Mellitus. Eles demonstraram redução significativa no risco de morte cardiovascular e piora da insuficiência cardíaca. Atualmente, compõem a 'quadrupla terapia' inicial (IECA/BRA/ARNI + BB + ARM + iSGLT2), devendo ser iniciados precocemente para maximizar o benefício clínico e a sobrevida do paciente.

Quando indicar CDI ou TRC na insuficiência cardíaca?

A indicação de Cardiodifibrilador Implantável (CDI) ou Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC) deve ocorrer apenas após pelo menos 3 a 6 meses de terapia medicamentosa otimizada em doses máximas toleradas. O CDI é indicado para prevenção primária em pacientes com FEVE ≤ 35% e NYHA II-III. A TRC é indicada especificamente para pacientes com FEVE ≤ 35%, ritmo sinusal e distúrbio de condução intraventricular (preferencialmente BRE com QRS ≥ 150ms).

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