PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Você está de plantão no PS no Hospital Universitário Cajuru quando atende um paciente de 62 anos portador de doença de chagas. O paciente realiza acompanhamento no serviço ambulatorial do Hospital e apresenta um ecocardiograma de 1 mês atrás com uma fração de Ejeção de 35%. O paciente refere um quadro de dispneia e edema de membros inferiores que teve início há 2 dias, quando se esqueceu de tomar os seus medicamentos e aumentou a ingesta de sódio. Ao exame físico, apresenta-se com estertores crepitantes até ápice dos pulmões, edema periférico de +++/IV além de turgência jugular patológica, porém com extremidades quentes e boa perfusão periférica. Sua pressão arterial é de 100x54 mmHg, frequência cardíaca de 84bpm.Após a compensação do quadro, qual das drogas abaixo teria efeito prognóstico com efeito na redução de mortalidade para esse paciente?
ICFER (FEVE ≤ 40%) → iSGLT2, iECA/BRA/INRA, Beta-bloq (suc/carv/bis) e ARM reduzem mortalidade.
Após a estabilização da IC descompensada, o foco é otimizar a terapia quádrupla. Dapagliflozina reduz hospitalização e morte cardiovascular independentemente do diabetes.
A insuficiência cardíaca na cardiopatia chagásica frequentemente se apresenta com disfunção sistólica grave e alto risco de arritmias. O manejo da fase aguda (perfil B: 'quente e úmido') foca em diuréticos e vasodilatadores. Após a compensação, a introdução de drogas modificadoras de doença é crucial. Os inibidores de SGLT2, como a Dapagliflozina, tornaram-se fundamentais por agirem precocemente na redução de volemia e proteção renal/cardíaca.
O tratamento padrão-ouro atual para IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) baseia-se na 'terapia quádrupla': 1) Inibidores da Neprilisina e do Receptor de Angiotensina (INRA) ou iECA/BRA; 2) Betabloqueadores específicos (Carvedilol, Succinato de Metoprolol ou Bisoprolol); 3) Antagonistas do Receptor de Mineralocorticoide (Espironolactona); e 4) Inibidores de SGLT2 (Dapagliflozina ou Empagliflozina). Estes fármacos demonstraram redução consistente de mortalidade e hospitalizações em grandes ensaios clínicos.
Estudos como o DAPA-HF demonstraram que a Dapagliflozina reduz o risco de morte cardiovascular e o agravamento da insuficiência cardíaca em pacientes com ICFER, independentemente da presença ou ausência de Diabetes Mellitus tipo 2. O benefício parece advir de efeitos hemodinâmicos, redução da pré e pós-carga, e melhora do metabolismo miocárdico, tornando-a uma droga de primeira linha para todos os pacientes com FEVE ≤ 40%.
Na insuficiência cardíaca crônica, as evidências de redução de mortalidade (estudo MERIT-HF) foram estabelecidas com o Succinato de Metoprolol, que possui liberação controlada. O Tartarato de Metoprolol é uma formulação de curta duração, geralmente utilizada em contextos de hipertensão ou arritmias, e não possui o mesmo nível de evidência para o tratamento de longo prazo da ICFER visando prognóstico.
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