ICFER: Diagnóstico Clínico e Sinais de Congestão Cardíaca

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 48 anos refere falta de ar aos esforços e edema de membros inferiores há 2 anos, de caráter progressivo. Há 3 meses, apresenta edema facial pela manhã que melhora durante o dia. AP: tabagista 80 anos/maço, HAS e DM tipo II há 6 anos. Exame físico: PA 160 x 100 mmHg, FC 104 bpm, ictus no sexto espaço intercostal dois cm para fora da linha hemiclavicular esquerda, estase jugular +/4, crepitações finas até terço médio dos pulmões, edema de membros inferiores até raiz da coxa. Saturação de oxigênio de 90%.O diagnóstico mais provável é

Alternativas

  1. A) insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
  2. B) insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.
  3. C) DPOC com cor pulmonale.
  4. D) síndrome nefrótica de etiologia diabética.

Pérola Clínica

Ictus desviado + estase jugular + crepitações + edema + fatores de risco = alta suspeita de ICFER.

Resumo-Chave

O quadro clínico com dispneia progressiva, edema, cardiomegalia (ictus desviado), sinais de congestão (estase jugular, crepitações) e múltiplos fatores de risco (HAS, DM, tabagismo) é altamente sugestivo de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER).

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa resultante de uma disfunção estrutural ou funcional do enchimento ventricular ou da ejeção de sangue. É uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo, com prevalência crescente devido ao envelhecimento populacional e à maior sobrevida de pacientes com doenças cardiovasculares. A IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) é caracterizada por uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 40%, indicando uma falha na capacidade de bombeamento do coração. O diagnóstico de ICFER é primariamente clínico, baseado na presença de sintomas e sinais de congestão e/ou baixo débito cardíaco, corroborados por achados de exame físico e exames complementares. No caso apresentado, a dispneia progressiva, edema de membros inferiores, edema facial matinal (sugestivo de congestão ou disfunção renal associada), e os achados de exame físico como ictus desviado, estase jugular e crepitações pulmonares, são marcadores clássicos de IC descompensada. A história de tabagismo, HAS e DM tipo II são fatores de risco bem estabelecidos que contribuem para o desenvolvimento e progressão da doença cardíaca estrutural. O manejo da ICFER envolve uma abordagem multifacetada, incluindo modificações no estilo de vida, tratamento farmacológico otimizado (inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores, antagonistas do receptor de mineralocorticoide, inibidores SGLT2) e, em casos selecionados, dispositivos cardíacos. Para residentes, é fundamental reconhecer precocemente os sinais e sintomas da IC, diferenciar os tipos de IC e iniciar o tratamento adequado para melhorar a qualidade de vida e o prognóstico dos pacientes. A avaliação da FEVE por ecocardiograma é essencial para confirmar o diagnóstico e guiar a terapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da insuficiência cardíaca?

Os principais sintomas da insuficiência cardíaca incluem dispneia (falta de ar), especialmente aos esforços e em decúbito (ortopneia), fadiga, edema de membros inferiores, tosse noturna e, em casos mais avançados, edema abdominal e anorexia.

Como o exame físico pode auxiliar no diagnóstico de ICFER?

No exame físico, a ICFER pode se manifestar com ictus cordis desviado e difuso (indicando cardiomegalia), estase jugular (pressão venosa central elevada), crepitações pulmonares (congestão pulmonar), edema periférico, e presença de terceira bulha (B3) à ausculta cardíaca.

Quais são os fatores de risco mais comuns para o desenvolvimento de ICFER?

Os fatores de risco mais comuns para ICFER incluem hipertensão arterial sistêmica (HAS) não controlada, diabetes mellitus, doença arterial coronariana (DAC), tabagismo, obesidade, doença valvar e cardiomiopatias diversas.

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