AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Paciente de 65 anos de idade com diagnóstico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FE 28%) secundária a miocardiopatia isquêmica. No momento está em uso de carvedilol 25 mg, enalapril 10 mg, espironolactona 25 mg/dia e uso de diurético de alça conforme a necessidade. Mesmo otimizado clinicamente, permanece sintomático (NYHA 3) e foi recentemente internado por descompensação. Ecocárdio transtorácico demonstra dilatação ventricular esquerda, eletrocardiograma um QRS de 112 ms em ritmo sinusal. Função renal estável, creatinina 1,3 mg/dL. Considerando evidências e recomendações atuais, a melhor próxima intervenção farmacológica que provavelmente reduzirá hospitalizações e mortalidade deste paciente?
ICFER sintomática (NYHA II-IV) → Adicionar iSGLT2 + Trocar IECA/BRA por Sacubitril/Valsartana (ARNI).
O tratamento quádruplo (Betabloqueador, ARNI, Antagonista de Mineralocorticoide e iSGLT2) é o padrão-ouro para reduzir mortalidade e hospitalização na ICFER sintomática.
A abordagem moderna da ICFER baseia-se nos 'quatro pilares' farmacológicos. O paciente do caso já utiliza três (Betabloqueador, IECA e Antagonista de Mineralocorticoide), mas permanece sintomático (NYHA III) e com fração de ejeção muito reduzida (28%). O QRS estreito (112ms) afasta, no momento, a indicação de terapia de ressincronização cardíaca. A introdução de um iSGLT2 é prioritária pela facilidade posológica e impacto imediato em hospitalizações. Subsequentemente, a substituição do enalapril pelo Sacubitril/Valsartana completa a otimização neuro-hormonal. Essa estratégia visa bloquear múltiplas vias fisiopatológicas: o sistema simpático, o sistema renina-angiotensina-aldosterona e a via da neprilisina, enquanto promove glicosúria e natriurese via SGLT2.
Os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2), como a empagliflozina e dapagliflozina, demonstraram redução significativa no desfecho composto de morte cardiovascular e hospitalização por insuficiência cardíaca. Esse benefício ocorre independentemente da presença de diabetes mellitus, tornando-os classe I para todos os pacientes com ICFER e FE ≤ 40%.
A troca de um IECA (ou BRA) por Sacubitril/Valsartana (ARNI) é recomendada para pacientes com ICFER que permanecem sintomáticos (NYHA II-IV) apesar do tratamento otimizado. Estudos como o PARADIGM-HF mostraram superioridade do ARNI em relação ao enalapril na redução de mortalidade e reiternações.
Ao migrar de um IECA para Sacubitril/Valsartana, é obrigatório um período de 'washout' de 36 horas. Isso é necessário para evitar o acúmulo excessivo de bradicinina, o que aumentaria drasticamente o risco de angioedema grave. Esse intervalo não é necessário ao trocar um BRA por ARNI.
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