UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022
A maior causa de morte no Brasil e no mundo é de origem cardiovascular, que corresponde a cerca de 30% de todas as causas, sendo a insuficiência cardíaca a grande responsável pela maior parte desses óbitos. Há diversas medicações que se mostram eficientes na redução da mortalidade. Nesse contexto, assinale o fármaco que possui efeito benéfico na redução da mortalidade cardíaca.
Inibidores SGLT2 (ex: Dapagliflozina) são classe I de recomendação para IC com FE reduzida, reduzindo mortalidade e hospitalizações.
A dapagliflozina, um inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), demonstrou em grandes estudos clínicos reduzir significativamente a mortalidade cardiovascular e as hospitalizações por insuficiência cardíaca em pacientes com IC com fração de ejeção reduzida (ICFER), independentemente da presença de diabetes. É considerada um dos quatro pilares do tratamento da ICFER.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa com alta morbimortalidade. O tratamento da IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) evoluiu significativamente, com o objetivo principal de reduzir a mortalidade e as hospitalizações. Historicamente, IECA/BRA, betabloqueadores e antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM) formavam a base do tratamento. Recentemente, os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), como a dapagliflozina e a empagliflozina, emergiram como uma quarta classe de medicamentos que comprovadamente reduzem a mortalidade cardiovascular e as hospitalizações por IC, independentemente da presença de diabetes mellitus. Eles atuam por mecanismos complexos que incluem natriurese, diurese osmótica, redução da pré-carga e pós-carga, e efeitos diretos no miocárdio e nos rins. É crucial que residentes e profissionais de saúde compreendam que, enquanto medicamentos como furosemida (diurético) e digoxina (digitálico) são importantes para o controle sintomático e melhora da qualidade de vida, eles não demonstraram redução da mortalidade em IC. Betabloqueadores como carvedilol, metoprolol succinato e bisoprolol são eficazes na redução da mortalidade, mas o atenolol não é o betabloqueador de escolha para IC. A combinação desses quatro pilares (IECA/BRA/ARNI, betabloqueadores, ARM e iSGLT2) é a estratégia atual para otimizar o tratamento da ICFER.
Os quatro pilares são: inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) ou inibidores da neprilisina e do receptor de angiotensina (ARNI), betabloqueadores, antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM) e inibidores do SGLT2.
A dapagliflozina, um inibidor do SGLT2, atua promovendo glicosúria e natriurese, o que leva à redução da pré-carga e pós-carga, melhora da função renal e efeitos cardioprotetores e renais diretos, independentes do controle glicêmico.
Diuréticos de alça como a furosemida são cruciais para o alívio da congestão e sintomas, mas não impactam a mortalidade. A digoxina pode melhorar os sintomas e reduzir hospitalizações, mas não a mortalidade.
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