Tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Homem, com 43 anos de idade, é atendido na Unidade Básica de Saúde com queixa de dispneia aos grandes esforços, há seis meses. Não relata dor precordial, síncope ou palpitações. No exame, encontra-se em bom estado geral, eupneico, hidratado, corado. Pressão arterial = 100x70 mmHg, Frequência cardíaca =112bpm, Frequência respiratória = 18 irpm; temperatura axilar = 36,5°C. Murmúrio vesicular presente e simétrico bilateralmente. Ritmo cardíaco regular, em dois tempos, bulhas hipofonéticas, com sopro sistólico de regurgitação mitral discreto. Abdome flácido, sem visceromegalias, ruídos hidroaéreos presentes e regularmente distribuídos. Sem edema de membros inferiores. Radiografia de tórax atual mostra aumento global da área cardíaca, sem congestão pulmonar. Ecocardiograma transtorácico mostra a fração de ejeção do ventrículo esquerdo igual a 35%. Com base nas evidências científicas indique a opção terapêutica para o caso:

Alternativas

  1. A) Hidroclorotiazida e carvedilol.
  2. B) Carvedilol e digoxina.
  3. C) Enalapril e metoprolol.
  4. D) Espironolactona e enalapril.
  5. E) Digoxina e hidroclorotiazida.

Pérola Clínica

ICFEr (FEVE < 40%) → IECA/BRA + Betabloqueador (estabilidade clínica) = ↓ Mortalidade.

Resumo-Chave

O tratamento padrão-ouro para IC com fração de ejeção reduzida visa o bloqueio neuro-hormonal para reduzir a remodelação cardíaca e a mortalidade.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) é caracterizada por uma disfunção sistólica do ventrículo esquerdo, resultando em débito cardíaco inadequado. A fisiopatologia envolve a ativação crônica do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema simpático, que inicialmente compensam a falha, mas a longo prazo promovem a remodelação patológica e morte celular. O tratamento foca no bloqueio desses sistemas. O uso de Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) e Betabloqueadores é a pedra angular da terapia, demonstrando em múltiplos ensaios clínicos a capacidade de reverter a remodelação, melhorar a classe funcional e reduzir significativamente a mortalidade cardiovascular.

Perguntas Frequentes

Quais betabloqueadores são indicados na ICFEr?

Os betabloqueadores com evidência de redução de mortalidade na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida são o Carvedilol, o Bisoprolol e o Succinato de Metoprolol. O uso deve ser iniciado em doses baixas e titulado conforme a tolerância do paciente, sempre em estado de estabilidade clínica (euvolêmico).

Quando iniciar o IECA no paciente com IC?

O IECA (ou BRA, se intolerância) deve ser iniciado em todos os pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (FEVE < 40%), independentemente da classe funcional, desde que não haja contraindicações como insuficiência renal grave, hipercalemia ou estenose bilateral de artéria renal.

Qual o papel da Espironolactona no tratamento?

A espironolactona é indicada para pacientes com ICFEr que permanecem sintomáticos (NYHA II-IV) apesar do tratamento otimizado com IECA/BRA e betabloqueador, visando o bloqueio adicional da aldosterona para reduzir fibrose e mortalidade.

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