SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Uma paciente de 65 anos de idade, com histórico de (hipertensão e diabetes) procurou atendimento com dispneia progressiva nos últimos seis meses, ortopneia e episódios de edema em membros inferiores. Relatou que o quadro piorou nas últimas 24 horas, com necessidade de dormir sentada. Ao exame físico, a paciente apresentou FC = 110 bpm, FR 24 irpm, SatO2 = 91%, em ar ambiente e PA = 140 mmHg X 90 mmHg. Mostrou também estase jugular positiva a 45°, hepatomegalia palpável, edema +3 em membros inferiores e crepitantes bibasais na ausculta pulmonar. O ecocardiograma evidenciou fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (35%).\n\nQual é o diagnóstico mais provável para esse caso clínico?
Dispneia + Ortopneia + FEVE < 40% = Insuficiência Cardíaca com FE Reduzida (ICFER).
A ICFER é diagnosticada pela presença de sintomas congestivos associados a uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (≤ 40% pelas diretrizes atuais).
A Insuficiência Cardíaca (IC) é a via final comum de diversas cardiopatias, sendo a hipertensão e o diabetes fatores de risco fundamentais, como visto no caso. A paciente apresenta um quadro clássico de IC descompensada, com sinais de congestão pulmonar (crepitantes, ortopneia) e sistêmica (edema, hepatomegalia, estase jugular). A fração de ejeção de 35% confirma o fenótipo de ICFER.\n\nA classificação da IC pela fração de ejeção é vital para o prognóstico e para a escolha terapêutica, pois a maioria das evidências de redução de mortalidade está concentrada no grupo com FE reduzida. O manejo clínico exige monitorização rigorosa do balanço hídrico e a busca por fatores desencadeantes, como infecções, má adesão medicamentosa ou isquemia miocárdica.
O diagnóstico de Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER) baseia-se na presença de sintomas típicos (dispneia, ortopneia, fadiga) e/ou sinais (estase jugular, edema, crepitações pulmonares) decorrentes de uma anormalidade cardíaca estrutural ou funcional. O critério definidor é a Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) ≤ 40%, conforme demonstrado por exames de imagem, sendo o ecocardiograma o método de escolha inicial.
A ortopneia (dispneia ao deitar) e a estase jugular são sinais clássicos de congestão. A ortopneia reflete o aumento do retorno venoso para o coração direito e pulmões ao assumir a posição supina, o que um ventrículo esquerdo falho não consegue bombear adequadamente. A estase jugular a 45° é um sinal direto de aumento da pressão venosa central e pressão de enchimento do átrio direito, indicando sobrecarga volêmica sistêmica.
No cenário de descompensação aguda (perfil 'quente e úmido', como o da paciente), o tratamento foca na redução da congestão. Utilizam-se diuréticos de alça intravenosos (como a furosemida) para promover a diurese e reduzir a pré-carga. Vasodilatadores (como nitroglicerina) podem ser usados se a pressão arterial permitir, para reduzir a pós-carga. Após a estabilização, deve-se iniciar ou otimizar a terapia quádrupla (betabloqueador, IECA/BRA/sacubitril-valsartana, espironolactona e iSGLT2).
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