Insuficiência Cardíaca Pós-IAM: Otimizando o Tratamento

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020

Enunciado

C.H.S, homem, aposentado, 74 anos, tem história pregressa de infarto agudo do miocárdio há 04 meses. Foi submetido à cirurgia de revascularização miocárdica com sucesso. Após a alta hospitalar, há 03 meses, evolui estável, porém relata cansaço em aclives acentuados e há 01 mês vem tendo episódios de repentina sensação de sufocação durante o sono que o acorda e o obriga a levantar-se à procura de um lugar mais arejado. O ecocardiograma transtorácico mostra uma Fração de ejeção de 39%. Está em uso de Enalapril 10 mg 2x/d, AAS 100 mg/d, atorvastatina 20 mg/d, hidroclorotiazida 25 mg/d. Ao exame físico: PA sentado 128x68 mmHg e FC=78 spm, regular, ausculta cardiopulmonar normal. Neste caso, a melhor opção de tratamento seria:

Alternativas

  1. A) Introduzir espironolactona
  2. B) Introduzir nitratos
  3. C) Iniciar beta-bloqueador
  4. D) Iniciar furosemida.
  5. E) Associar losartan ao tratamento.

Pérola Clínica

ICFEr pós-IAM com sintomas de congestão e FE 39% → iniciar beta-bloqueador (se estável) para otimizar tratamento.

Resumo-Chave

O paciente apresenta insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) pós-IAM, com sintomas de congestão (dispneia paroxística noturna) e FE de 39%. Embora já use IECA e diurético, a introdução de um beta-bloqueador é fundamental para reduzir mortalidade e morbidade na ICFEr, desde que o paciente esteja estável hemodinamicamente.

Contexto Educacional

Este paciente apresenta um quadro clássico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) após infarto agudo do miocárdio (IAM) e revascularização. A fração de ejeção de 39% confirma a disfunção ventricular esquerda, e os sintomas de dispneia de esforço e dispneia paroxística noturna indicam congestão pulmonar, apesar do uso de enalapril (IECA) e hidroclorotiazida (diurético). O tratamento da ICFEr é baseado em medicamentos que comprovadamente reduzem a morbimortalidade. Os beta-bloqueadores são uma classe essencial, atuando ao reduzir a frequência cardíaca, a contratilidade miocárdica e a liberação de renina, além de atenuar os efeitos deletérios da ativação simpática crônica. Sua introdução deve ser feita em pacientes estáveis, com titulação lenta da dose. Neste caso, o paciente está hemodinamicamente estável (PA e FC normais) e sintomático, o que justifica a introdução de um beta-bloqueador para otimizar o tratamento e melhorar o prognóstico. Outras opções como espironolactona (ARM) e iSGLT2 também seriam consideradas posteriormente para completar o tratamento baseado em evidências, mas o beta-bloqueador é a próxima etapa crucial para este paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento medicamentoso da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr)?

Os pilares incluem inibidores da ECA (ou BRAs/ARNI), beta-bloqueadores, antagonistas do receptor de mineralocorticoide (ARM) e inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2), todos com comprovada redução de morbimortalidade.

Por que iniciar um beta-bloqueador neste paciente, mesmo com outros medicamentos?

O beta-bloqueador é fundamental na ICFEr para reduzir a ativação simpática crônica, melhorar a função ventricular, reduzir a remodelação cardíaca e, consequentemente, diminuir a morbidade e mortalidade. O paciente está estável e sintomático, indicando necessidade de otimização terapêutica.

Quais são os sintomas de congestão que o paciente apresenta?

O paciente relata "cansaço em aclives acentuados" (dispneia de esforço) e "episódios de repentina sensação de sufocação durante o sono que o acorda e o obriga a levantar-se" (dispneia paroxística noturna), ambos indicativos de congestão pulmonar devido à insuficiência cardíaca.

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