Manejo da Insuficiência Cardíaca Descompensada (ICFEr)

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 65 anos de idade, com histórico de (hipertensão e diabetes) procurou atendimento com dispneia progressiva nos últimos seis meses, ortopneia e episódios de edema em membros inferiores. Relatou que o quadro piorou nas últimas 24 horas, com necessidade de dormir sentada. Ao exame físico, a paciente apresentou FC = 110 bpm, FR 24 irpm, SatO2 = 91%, em ar ambiente e PA = 140 mmHg X 90 mmHg. Mostrou também estase jugular positiva a 45°, hepatomegalia palpável, edema +3 em membros inferiores e crepitantes bibasais na ausculta pulmonar. O ecocardiograma evidenciou fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (35%).\n\nPara o caso clínico apresentado, a conduta inicial mais apropriada é a:

Alternativas

  1. A) Utilização de furosemida intravenosa, oxigenoterapia e introdução de inibidor da ECA.
  2. B) Utilização de betabloqueador intravenoso para controle imediato da frequência. cardíaca.
  3. C) Reposição Volêmica com cristaloides e nitroglicerina sublingual.
  4. D) Introdução de anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular.

Pérola Clínica

Dispneia + Congestão + FE reduzida → Diurético IV + Suporte O2 + Vasodilatadores (se PA permitir).

Resumo-Chave

No perfil 'Quente e Úmido' (Perfil B), o objetivo inicial é a descontinuação da congestão com diuréticos de alça e redução da pós-carga para melhorar o débito cardíaco.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca descompensada é uma síndrome clínica complexa. O caso descreve uma paciente com ICFEr (FE 35%) apresentando sinais clássicos de congestão sistêmica (edema, hepatomegalia, estase jugular) e pulmonar (crepitantes, ortopneia). A classificação de Stevenson-Backs categoriza esta paciente como Perfil B (Quente e Úmido), onde há excesso de fluido mas perfusão adequada.\n\nO tratamento baseia-se na 'estratégia de depleção'. A furosemida IV promove diurese rápida e venodilatação imediata. A oxigenoterapia (seja por cateter ou VNI) melhora a troca gasosa prejudicada pelo edema intersticial. A introdução de iECA ou BRA visa o bloqueio neuro-hormonal, essencial para a sobrevida. A monitorização rigorosa do débito urinário, função renal e eletrólitos é mandatória durante a fase de balanço hídrico negativo.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no tratamento do Perfil B (Quente e Úmido)?

O Perfil B é o mais comum nas emergências e caracteriza-se por sinais de congestão (edema, crepitantes, estase jugular) com perfusão periférica preservada. A prioridade é a redução da volemia e das pressões de enchimento ventricular. Isso é alcançado com o uso de diuréticos de alça intravenosos (como a furosemida) e, se a pressão arterial permitir, vasodilatadores (como nitroglicerina ou nitroprussiato) para reduzir a pré e pós-carga. A oxigenoterapia é indicada se houver hipoxemia (SatO2 < 90-92%) ou desconforto respiratório importante.

Por que não usar betabloqueadores na fase aguda?

Embora os betabloqueadores sejam pilares do tratamento crônico da ICFEr por reduzirem a mortalidade, eles possuem efeito inotrópico negativo. Na fase de descompensação aguda, o coração depende do drive adrenérgico para manter o débito cardíaco mínimo. Introduzir ou aumentar a dose de betabloqueadores nesse momento pode levar ao choque cardiogênico ou piora acentuada da congestão. Eles só devem ser iniciados ou reintroduzidos após a estabilização hemodinâmica, quando o paciente estiver 'seco' (euvolêmico).

Qual o papel dos iECA na fase hospitalar inicial?

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (iECA) ajudam na redução da pós-carga e no remodelamento cardíaco. Se o paciente já os utilizava, devem ser mantidos, a menos que haja contraindicações como insuficiência renal aguda grave, hipercalemia ou hipotensão sintomática. Se o paciente nunca usou, podem ser iniciados precocemente após a estabilização inicial da volemia, pois auxiliam na redução da resistência vascular sistêmica e melhoram a performance ventricular a longo prazo.

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