Insuficiência Cardíaca: Medicamentos a Evitar na ICFEr

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 58 anos, procura atendimento médico com queixa de dispneia aos esforços, de moderados a pequenos, além de edema leve de membros inferiores, de instalação progressiva há cerca de 3 meses. Refere antecedente de infarto do miocárdio há 2 anos e, atualmente, não faz uso de qualquer medicação. Exame físico: bom estado geral, FC = 98 bpm, pulso regular, PA = 130 × 90 mmHg, sinal de Godet positivo 2+/4+ em membros inferiores, ausculta cardíaca normal e ausculta pulmonar com finos estertores crepitantes bibasais. Foi solicitado ecocardiograma transtorácico, que revelou a presença de acinesia de toda a parede inferior do ventrículo esquerdo e fração de ejeção de 40% (Simpson). Exames laboratoriais: função renal e hepática normais. No arsenal terapêutico disponível para o tratamento desse paciente, deve-se evitar o uso de

Alternativas

  1. A) bisoprolol.
  2. B) espironolactona.
  3. C) furosemida.
  4. D) diltiazem.
  5. E) losartana.

Pérola Clínica

Bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (diltiazem, verapamil) são contraindicados na IC com FEVE reduzida.

Resumo-Chave

Pacientes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida (ICFEr) devem evitar bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (como diltiazem e verapamil), pois estes podem piorar a função ventricular e aumentar a mortalidade devido aos seus efeitos inotrópicos negativos.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo, resultando em sintomas como dispneia, fadiga e edema. O paciente descrito apresenta um quadro clássico de ICFEr pós-infarto do miocárdio, com dispneia aos esforços, edema e fração de ejeção de 40%. O tratamento da ICFEr visa melhorar os sintomas, a qualidade de vida e, crucialmente, a sobrevida. Os pilares terapêuticos incluem betabloqueadores (como bisoprolol), inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA, como losartana), antagonistas do receptor de mineralocorticoide (como espironolactona) e diuréticos de alça (como furosemida) para controle de sintomas congestivos. No entanto, algumas classes de medicamentos são contraindicadas ou devem ser usadas com extrema cautela na ICFEr. Os bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos, como diltiazem e verapamil, possuem efeito inotrópico negativo, ou seja, diminuem a contratilidade miocárdica. Em pacientes com função ventricular já comprometida, o uso desses fármacos pode agravar a disfunção cardíaca, piorar os sintomas e aumentar a mortalidade, sendo, portanto, contraindicados.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento farmacológico da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr)?

Os pilares incluem inibidores da ECA/BRA/ARNI, betabloqueadores (carvedilol, bisoprolol, metoprolol succinato), antagonistas do receptor de mineralocorticoide (espironolactona, eplerenona) e inibidores do SGLT2.

Por que o diltiazem deve ser evitado em pacientes com ICFEr?

O diltiazem é um bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico com efeito inotrópico negativo, o que significa que ele diminui a força de contração do coração, podendo piorar a disfunção ventricular e o prognóstico em pacientes com ICFEr.

Quais classes de medicamentos são benéficas para a sobrevida na ICFEr?

As classes de medicamentos que comprovadamente melhoram a sobrevida na ICFEr são os inibidores da ECA/BRA/ARNI, betabloqueadores, antagonistas do receptor de mineralocorticoide e inibidores do SGLT2.

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