ICFER: Otimizando o Tratamento com Inibidores SGLT2

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 60 anos, masculino, foi encaminhado da UBS para um hospital terciário para investigação de falta de ar de início há 4 meses, que piorava com esforços. Inicialmente, ainda conseguia trabalhar, porém, atualmente, não consegue tomar banho sozinho pelo cansaço. Relata que os sintomas são piores à noite, em especial, após deitar, chegando a acordar de madrugada várias vezes, além de ter buscado atendimento na UPA algumas vezes no período. Comparece à consulta em uso de enalapril, carvedilol e espironolactona. Histórico de hipertensão arterial, dislipidemia e tabagista 30 maços/ano. No momento da consulta, encontra-se acordado, consciente, conversando, eupneico em ar ambiente, PA 100x60 mmHg, FC 68 bpm, FR 18 irpm, SpO₂ 93% em ar ambiente. Ausculta pulmonar com crepitações finas e esparsas, em ambas as bases. Abdome flácido. Edema +/4+ em membros inferiores com cacifo positivo. Trouxe ecocardiograma evidenciando fração de ejeção de 36%, com hipocinesia difusa, disfunção diastólica grave. Visando maior benefício de sobrevida nesse perfil de paciente, assinale a melhor medicação a ser associada.

Alternativas

  1. A) Dapaglifozina.
  2. B) Hidralazina.
  3. C) Valsartana.
  4. D) Digoxina.

Pérola Clínica

ICFER com terapia tripla otimizada → adicionar iSGLT2 (Dapaglifozina) para maior benefício de sobrevida.

Resumo-Chave

O paciente apresenta insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) sintomática, já em uso da terapia tripla clássica (IECA/BRA, betabloqueador e antagonista do receptor de mineralocorticoide). As diretrizes atuais recomendam a adição de um inibidor do SGLT2 (como a dapaglifozina) como parte da terapia quádrupla para otimizar o benefício de sobrevida.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo. É uma condição progressiva com alta morbimortalidade, afetando milhões de pessoas globalmente. A compreensão de sua fisiopatologia, que envolve ativação neuro-hormonal e remodelamento cardíaco, é fundamental para o manejo. O diagnóstico da ICFER baseia-se em sintomas clínicos (dispneia, fadiga, edema), sinais (crepitações, turgência jugular) e confirmação por ecocardiograma com FE < 40%. O paciente do caso apresenta um quadro clássico de ICFER avançada, com sintomas graves e disfunção ventricular significativa. A terapia medicamentosa visa bloquear os sistemas neuro-hormonais ativados e reverter o remodelamento cardíaco. O tratamento da ICFER evoluiu significativamente. Atualmente, a terapia quádrupla é o padrão ouro, incluindo inibidores da ECA/BRA/ARNI, betabloqueadores, antagonistas do receptor de mineralocorticoide e, crucialmente, inibidores do SGLT2 (como a dapaglifozina). A adição da dapaglifozina, mesmo em pacientes já otimizados com a terapia tripla clássica, demonstrou um benefício robusto na redução da mortalidade e hospitalizações, tornando-a uma medicação essencial para melhorar o prognóstico desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER)?

Os pilares do tratamento da ICFER incluem inibidores da ECA/BRA/ARNI, betabloqueadores, antagonistas do receptor de mineralocorticoide e, mais recentemente, inibidores do SGLT2, formando a terapia quádrupla para otimização da sobrevida.

Por que a dapaglifozina é indicada para pacientes com ICFER?

A dapaglifozina, um inibidor do SGLT2, demonstrou em grandes estudos clínicos reduzir significativamente a mortalidade cardiovascular e as hospitalizações por insuficiência cardíaca em pacientes com ICFER, independentemente da presença de diabetes.

Quando se deve considerar a adição de um inibidor do SGLT2 na ICFER?

A adição de um inibidor do SGLT2 deve ser considerada precocemente em todos os pacientes com ICFER sintomática, mesmo aqueles já em uso de terapia tripla otimizada, para maximizar os benefícios de sobrevida e qualidade de vida.

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