Insuficiência Cardíaca: Medicamentos que Reduzem a Mortalidade

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 42 anos é reinternado na enfermaria com quadro de dispneia aos pequenos esforços, ortopneia, dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores. O eletrocardiograma mostra bloqueio completo do ramo direito, bloqueio da divisão anterossuperior do ramo esquerdo e extrassístoles ventriculares isoladas. O ecocardiograma evidenciou a presença de um aneurisma mamilar da região apical do VE com um pequeno trombo em seu interior, insuficiência mitral de grau moderado e significativa redução da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FE = 30%) às custas de acinesia da região mediobasal da parede ínfero lateral e hipocinesia difusa das demais paredes. Em relação ao tratamento a ser instituído, qual das seguintes medicações tem impacto na redução da mortalidade?

Alternativas

  1. A) Furosemida.
  2. B) Espironolactona.
  3. C) Digoxina.
  4. D) Hidroclorotiazida.
  5. E) Amiodarona.

Pérola Clínica

Em ICFER, espironolactona (antagonista mineralocorticoide) reduz mortalidade e hospitalizações.

Resumo-Chave

A espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, é uma medicação fundamental no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER). Ela atua bloqueando os efeitos deletérios da aldosterona no miocárdio, como fibrose e remodelamento, e comprovadamente reduz a mortalidade e morbidade nesses pacientes.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo. É uma condição progressiva com alta morbidade e mortalidade, sendo uma das principais causas de hospitalização em adultos. A fisiopatologia da ICFER envolve um ciclo vicioso de ativação neuro-hormonal (sistema renina-angiotensina-aldosterona e sistema nervoso simpático) que leva a remodelamento ventricular, fibrose e disfunção progressiva do miocárdio. O tratamento visa interromper esse ciclo e melhorar a função cardíaca. O tratamento da ICFER é baseado em terapias que comprovadamente reduzem a mortalidade e melhoram a qualidade de vida. Isso inclui inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores, antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARMs, como espironolactona e eplerenona) e, mais recentemente, inibidores do receptor da neprilisina e angiotensina (ARNIs) e inibidores do SGLT2. A espironolactona, especificamente, é crucial por seu papel em bloquear os efeitos deletérios da aldosterona, sendo indicada para pacientes com ICFER sintomática e FE ≤ 35%, mesmo em uso de IECA/BRA e betabloqueadores.

Perguntas Frequentes

Quais classes de medicamentos comprovadamente reduzem a mortalidade na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER)?

As classes de medicamentos que comprovadamente reduzem a mortalidade na ICFER incluem inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores, antagonistas do receptor mineralocorticoide (como a espironolactona) e inibidores do receptor da neprilisina e angiotensina (ARNI).

Qual o mecanismo de ação da espironolactona na insuficiência cardíaca?

A espironolactona é um antagonista do receptor mineralocorticoide que bloqueia os efeitos da aldosterona. A aldosterona contribui para a fibrose miocárdica, remodelamento ventricular, disfunção endotelial e retenção de sódio e água, e o bloqueio desses efeitos melhora o prognóstico na IC.

Por que a furosemida e a digoxina não reduzem a mortalidade na IC, apesar de serem usadas no tratamento?

A furosemida é um diurético de alça que alivia a congestão e os sintomas, mas não atua nos mecanismos de remodelamento ventricular, não impactando a mortalidade. A digoxina melhora a contratilidade miocárdica e reduz hospitalizações, mas não demonstrou redução da mortalidade em ensaios clínicos.

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