INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025
Homem de 76 anos vem para consulta de rotina. Está assintomático. Há três anos, tinha insuficiência cardíaca sem causa definida, com fração de ejeção de 25%. Na época, queixou-se de dispneia a mínimos esforços por um ano. Desde então, recebe enalapril 10 mg de 12/12 h, carvedilol 25 mg de 12/12 h e espironolactona 25 mg/dia e empagliflozina 10 mg/dia. Reclama que está tomando muitos remédios. Exame clínico: PA 130x80 mmHg; FC 66 bpm. Restante normal. Traz ecocardiograma recente com fração de ejeção de 55%. Perfis glicídico e lipídico normais. Assinale a conduta mais adequada.
Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Recuperada (HFrecEF) → Manter a terapia quádrupla otimizada, pois a suspensão leva a alta taxa de recidiva.
Em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) que apresentam melhora da FE (HFrecEF), a suspensão da terapia medicamentosa otimizada está associada a um alto risco de recorrência da disfunção sistólica e piora clínica. A manutenção do tratamento é a conduta padrão.
A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Recuperada (HFrecEF) descreve pacientes com diagnóstico prévio de IC com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER) que demonstram melhora significativa da função sistólica (FEVE > 40%). Essa melhora é frequentemente resultado da terapia medicamentosa otimizada. Embora assintomáticos e com FE normalizada, esses pacientes não são considerados curados e permanecem em risco. O racional para manter a terapia é que a melhora funcional é dependente dos fármacos que bloqueiam as vias neuro-hormonais deletérias (sistema renina-angiotensina-aldosterona e sistema simpático) e promovem o remodelamento reverso. A suspensão desses agentes pode reativar essas vias, levando à recorrência da disfunção ventricular e à deterioração clínica. O estudo TRED-HF demonstrou que a retirada da terapia em pacientes com cardiomiopatia dilatada recuperada resultou em alta taxa de recidiva. Com base nessas evidências, as diretrizes atuais recomendam fortemente a continuação da terapia medicamentosa otimizada indefinidamente em pacientes com HFrecEF para manter os benefícios clínicos e a estabilidade da função cardíaca.
HFrecEF é definida em um paciente com diagnóstico prévio de IC com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER, FE < 40%) que, após tratamento, apresenta uma melhora da FE para > 40% em uma avaliação subsequente. É um estado de remissão, não de cura.
Estudos como o TRED-HF mostraram que a suspensão da terapia em pacientes com HFrecEF leva a uma alta taxa de recidiva da disfunção ventricular esquerda. Os medicamentos mantêm o remodelamento reverso e previnem a progressão da doença.
A terapia quádrupla consiste em: 1) um inibidor do sistema renina-angiotensina (preferencialmente Sacubitril/Valsartana), 2) um betabloqueador (Carvedilol, Metoprolol ou Bisoprolol), 3) um antagonista mineralocorticoide (Espironolactona) e 4) um inibidor do SGLT2 (Dapagliflozina ou Empagliflozina).
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