HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Homem, 65 anos, apresenta dispneia aos mínimos esforços e episódios de dispneia paroxística noturna nas últimas semanas. História prévia de HAS e sobrepeso. O ECG demonstra crescimento de VE e o ecocardiograma bidimensional revela hipertrofia ventricular concêntrica, com sinais de disfunção ventricular e fração de ejeção de 54%. O BNP encontra-se elevado (1.850 pg/dL). Considerando o quadro clínico e os exames complementares, podemos afirmar que, entre as causas listadas, as principais são _____ e _____.
ICFEP com hipertrofia ventricular e BNP elevado → HAS crônica e doenças infiltrativas são causas comuns.
O quadro clínico e os exames (hipertrofia ventricular concêntrica, disfunção ventricular com FE preservada, BNP elevado) são altamente sugestivos de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP). As principais causas de ICFEP com hipertrofia ventricular são a hipertensão arterial sistêmica crônica (levando à hipertrofia concêntrica) e as doenças infiltrativas, como a amiloidose cardíaca, que resultam em cardiomiopatia restritiva e disfunção diastólica.
A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP) é uma síndrome clínica prevalente, especialmente em idosos, mulheres e pacientes com múltiplas comorbidades. Caracteriza-se por sintomas de IC e FEVE ≥ 50%, com evidências de disfunção diastólica e/ou pressões de enchimento elevadas. A fisiopatologia da ICFEP é multifatorial, envolvendo alterações estruturais e funcionais do miocárdio, microvasculatura e sistema nervoso autônomo. A hipertrofia ventricular concêntrica é um achado comum, refletindo a adaptação do coração a condições de sobrecarga de pressão crônica, como a hipertensão arterial sistêmica. No caso apresentado, o paciente tem histórico de HAS e sobrepeso, com ECG mostrando crescimento de VE e ecocardiograma revelando hipertrofia ventricular concêntrica e disfunção ventricular com FE de 54% (considerada preservada, mas no limite inferior da normalidade). O BNP elevado reforça o diagnóstico de IC. As principais causas que levam a esse cenário são a hipertensão arterial sistêmica crônica, que induz a hipertrofia ventricular concêntrica e disfunção diastólica ao longo do tempo, e as doenças infiltrativas cardíacas. As doenças infiltrativas, como a amiloidose cardíaca, são particularmente importantes, pois causam uma cardiomiopatia restritiva que se manifesta com hipertrofia ventricular (muitas vezes biventricular) e disfunção diastólica grave, mesmo com FEVE preservada. A amiloidose deve ser sempre considerada no diagnóstico diferencial de ICFEP, especialmente em pacientes com hipertrofia ventricular inexplicada, sinais de envolvimento multissistêmico ou achados ecocardiográficos específicos (ex: 'granular sparkling' ou espessamento de paredes com baixa voltagem no ECG). O reconhecimento dessas etiologias é crucial, pois o tratamento pode ser etiológico e específico, impactando diretamente o prognóstico do paciente.
As causas mais comuns de ICFEP incluem hipertensão arterial sistêmica crônica, diabetes mellitus, obesidade, doença arterial coronariana, fibrilação atrial e doenças infiltrativas cardíacas, como a amiloidose.
A hipertrofia ventricular concêntrica, frequentemente causada pela hipertensão crônica, leva a um aumento da rigidez da parede do ventrículo esquerdo. Isso prejudica o relaxamento e o enchimento diastólico, resultando em pressões de enchimento elevadas e sintomas de insuficiência cardíaca, mesmo com a fração de ejeção preservada.
As doenças infiltrativas cardíacas que podem causar ICFEP incluem a amiloidose cardíaca (principalmente amiloidose por transtirretina e cadeia leve), sarcoidose, hemocromatose e doença de Fabry. Elas levam ao acúmulo de substâncias anormais no miocárdio, causando rigidez e disfunção diastólica.
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