ICFEP: Diagnóstico em Idosos com Fatores de Risco

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Em uma consulta no ambulatório de clínica médica da Santa Casa de São Paulo, uma mulher idosa, de 72 anos de idade, hipertensa, ex-tabagista (vinte anos-maço), dislipidêmica, obesa, com evento trombótico prévio havia dois anos durante internação por covid-19, queixa-se de dispneia aos esforços físicos, edema de membros inferiores, ortopneia e dispneia paroxística noturna há dois meses. Traz consigo um ecocardiograma transtorácico recente, realizado em ritmo irregular, com fração de ejeção de 57%, aumento de átrio esquerdo, hipertensão arterial pulmonar com valor de 37 mmHg e relação VD/VE preservada.Entre as alternativas a seguir, assinale aquela que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável da causa da dispneia na paciente retratada no caso clínico acima.

Alternativas

  1. A) tromboembolismo pulmonar crônico, com cor pulmonale
  2. B) insuficiência cardíaca
  3. C) doença pulmonar obstrutiva crônica com cor pulmonale
  4. D) hipertensão arterial pulmonar idiopática
  5. E) síndrome pós-covid

Pérola Clínica

ICFEP: FE preservada (>50%), aumento AE, HAP leve/moderada, sintomas congestivos em pacientes com comorbidades.

Resumo-Chave

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP) é comum em idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular. O ecocardiograma mostra FE normal, mas com sinais de disfunção diastólica e aumento de câmaras esquerdas, explicando os sintomas de congestão.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) é uma condição prevalente, especialmente em idosos, e representa cerca de metade dos casos de insuficiência cardíaca. É crucial reconhecer que uma fração de ejeção normal não exclui o diagnóstico de IC, e a ICFEP está associada a morbimortalidade significativa, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico na prática clínica. A fisiopatologia da ICFEP envolve principalmente a disfunção diastólica do ventrículo esquerdo, caracterizada por rigidez miocárdica e relaxamento prejudicado, levando a pressões de enchimento elevadas. O diagnóstico é clínico, baseado em sintomas como dispneia, ortopneia e edema, e confirmado por ecocardiograma que mostra FE preservada, aumento de átrio esquerdo e sinais de hipertensão pulmonar, além da exclusão de outras causas de dispneia. O tratamento da ICFEP foca no manejo das comorbidades (hipertensão, diabetes, obesidade, fibrilação atrial) e no alívio sintomático da congestão. Diuréticos são a base para o controle do edema e dispneia. Novas terapias, como os inibidores de SGLT2, têm demonstrado benefícios na redução de hospitalizações e mortalidade. O prognóstico é variável, mas a identificação precoce e o manejo adequado das comorbidades são essenciais para melhorar a qualidade de vida e reduzir eventos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para ICFEP?

O diagnóstico de ICFEP requer sintomas e sinais de insuficiência cardíaca, fração de ejeção do VE ≥ 50%, e evidência objetiva de disfunção diastólica e/ou pressões de enchimento elevadas, geralmente demonstradas por ecocardiograma.

Como os fatores de risco como hipertensão e obesidade contribuem para a ICFEP?

Hipertensão e obesidade levam à hipertrofia ventricular esquerda e fibrose miocárdica, resultando em rigidez ventricular e disfunção diastólica, que impede o enchimento adequado do ventrículo esquerdo, característico da ICFEP.

Qual a importância da hipertensão arterial pulmonar no contexto da ICFEP?

A hipertensão arterial pulmonar na ICFEP é frequentemente secundária à elevação crônica das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo, que se transmite retrogradamente para a circulação pulmonar, indicando congestão e pior prognóstico.

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