ICFEP: Manejo Clínico e Redução de Morbimortalidade

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 68 anos, com histórico de hipertensão e obesidade, foi recentemente diagnosticado com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Ele apresenta sintomas de dispneia aos pequenos esforços e edema de membros inferiores. Seu BNP é de 700 pg/ml, o ecocardiograma revela fração de ejeção de 55% e disfunção diastólica moderada. Exames laboratoriais indicam função renal preservada, potássio de 4,5 mEq/L, e sódio de 137 mEq/L. Com relação à ICFEP, todas as afirmações abaixo estão corretas, EXCETO:

Alternativas

  1. A) A etiologia da ICFEP é frequentemente associada a fatores como hipertensão, diabetes e obesidade, além de ser mais prevalente em mulheres e idosos.
  2. B) Para o diagnóstico de ICFEP, é necessário observar sintomas de insuficiência cardíaca, fração de ejeção preservada evidências de disfunção diastólica em exames de imagem.
  3. C) Inibidores de SGLT2 e antagonistas dos receptores de mineralocorticoide são recomendados para reduzir hospitalizações, especialmente em pacientes sintomáticos.
  4. D) Ao iniciar sacubitril/valsartan em pacientes previamente em uso de um inibidor da ECA, recomenda-se um intervalo de washout de pelo menos 36 horas para reduzir o risco de angioedema.
  5. E) A abordagem farmacológica na ICFEP foca principalmente no controle dos sintomas, sem redução significativa de morbidade e nem mortalidade.

Pérola Clínica

ICFEP: iSGLT2 (Empagliflozina/Dapagliflozina) reduzem hospitalização e morte cardiovascular.

Resumo-Chave

Diferente de paradigmas antigos, o tratamento da ICFEP hoje foca na redução de desfechos clínicos (morbimortalidade) com o uso de iSGLT2, não apenas no controle sintomático.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) representa cerca de metade dos casos de IC na comunidade e está intimamente ligada ao envelhecimento e comorbidades metabólicas como obesidade, hipertensão e diabetes. A fisiopatologia é complexa, envolvendo inflamação sistêmica, estresse oxidativo e disfunção microvascular coronariana, levando à fibrose miocárdica e rigidez ventricular. Historicamente, o tratamento era limitado ao controle de sintomas com diuréticos. No entanto, a cardiologia moderna evoluiu com a introdução dos iSGLT2, que demonstraram benefícios consistentes independentemente da fração de ejeção. Além disso, o uso de antagonistas de receptores mineralocorticoides (espironolactona) e o sacubitril/valsartana (especialmente em pacientes no limite inferior da fração de ejeção preservada) compõem o arsenal para reduzir a morbidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do diagnóstico da ICFEP?

O diagnóstico de ICFEP baseia-se no tripé: 1) Presença de sinais e/ou sintomas de insuficiência cardíaca (como dispneia, edema, fadiga); 2) Fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) preservada (≥ 50%); e 3) Evidência objetiva de disfunção diastólica ou pressões de enchimento do VE aumentadas, demonstradas por ecocardiografia (ex: relação E/e' aumentada, volume do átrio esquerdo indexado > 34 ml/m²) ou níveis elevados de peptídeos natriuréticos (BNP ou NT-proBNP).

Qual o papel dos inibidores de SGLT2 na ICFEP?

Os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2), como a empagliflozina e a dapagliflozina, tornaram-se a primeira classe de medicamentos a demonstrar redução significativa no desfecho primário composto de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca em pacientes com ICFEP (estudos EMPEROR-Preserved e DELIVER). Eles são recomendados com alto nível de evidência para melhorar o prognóstico e reduzir a carga de sintomas nesses pacientes.

Por que o washout de 36 horas é necessário para o Sacubitril/Valsartana?

O intervalo de washout de 36 horas é obrigatório apenas quando se faz a transição de um Inibidor da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) para o Sacubitril/Valsartana (um INRA). Isso ocorre porque tanto o IECA quanto o Sacubitril (através da inibição da neprilisina) aumentam os níveis de bradicinina. O uso concomitante ou sem o intervalo de segurança eleva drasticamente o risco de angioedema grave. Esse intervalo não é necessário na transição de um BRA para INRA.

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