HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025
Homem, de 52 anos de idade, procura atendimento ambulatorial com queixa de ortopneia e dispneia paroxística noturna. Possui antecedentes de dislipidemia, obesidade e hipertensão arterial sistêmica. Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca de 80bpm, pressão arterial de 150x95mmHg, turgência de jugular a 30° e edema de membros inferiores bilateralmente. Durante a investigação, foi realizado um ecocardiograma transtorácico, cujo resultado pode ser visto na tabela a seguir: Qual é a prescrição mais adequada para este paciente?
IC com Fração de Ejeção Preservada (ICpFE) → Tratar congestão (diuréticos) + controlar comorbidades (HAS) + SGLT2i.
O tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICpFE) baseia-se em três pilares: manejo da congestão com diuréticos, controle rigoroso das comorbidades (principalmente hipertensão arterial) e o uso de inibidores do SGLT2 (como dapagliflozina), que demonstraram benefício em desfechos cardiovasculares.
A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICpFE) é uma síndrome clínica complexa, responsável por cerca de metade de todos os casos de IC. É mais prevalente em idosos, mulheres e indivíduos com múltiplas comorbidades, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, obesidade e doença renal crônica. A condição representa um desafio diagnóstico e terapêutico significativo na prática clínica. A fisiopatologia da ICpFE é heterogênea, envolvendo disfunção diastólica do ventrículo esquerdo, rigidez ventricular, disfunção atrial, incompetência cronotrópica e anormalidades vasculares e sistêmicas, como inflamação e estresse oxidativo. O diagnóstico é baseado na presença de sinais e sintomas de IC, uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≥ 50%, e evidências de pressões de enchimento elevadas, seja por peptídeos natriuréticos elevados ou por achados ecocardiográficos de disfunção diastólica. O manejo da ICpFE historicamente se concentrava no controle dos sintomas e das comorbidades. O pilar do tratamento sintomático é o uso criterioso de diuréticos para aliviar a congestão, como a furosemida. O controle rigoroso da pressão arterial, frequência cardíaca (em caso de fibrilação atrial) e glicemia é fundamental. Recentemente, os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2), como a dapagliflozina e a empagliflozina, emergiram como a primeira classe de medicamentos a demonstrar uma redução consistente em hospitalizações por IC e morte cardiovascular em pacientes com ICpFE, tornando-se um pilar no tratamento.
Os sinais clássicos de congestão incluem ortopneia (falta de ar ao deitar), dispneia paroxística noturna, turgência jugular patológica, edema de membros inferiores, hepatomegalia dolorosa e estertores pulmonares na ausculta.
Estudos como o DELIVER mostraram que inibidores do SGLT2, como a dapagliflozina, reduzem o risco de piora da insuficiência cardíaca e morte cardiovascular em pacientes com ICpFE. Os mecanismos incluem efeitos diuréticos, natriuréticos, melhora da função endotelial e do metabolismo cardíaco.
Clinicamente, a apresentação pode ser idêntica (sinais de congestão e baixa perfusão). A diferenciação é feita exclusivamente pelo ecocardiograma, que define a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE). FEVE ≤ 40% define ICFEr, enquanto FEVE ≥ 50% com sinais de disfunção diastólica define ICpFE.
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