PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Um paciente de 60 anos, obeso (IMC 32kg/m²), hipertenso e diabético, apresenta-se com dispneia aos mínimos esforços e edema de membros inferiores. Ao exame, a pressão arterial é de 150x95 mmHg, com frequência cardíaca de 95 bpm, boa perfusão periférica, e crepitações bibasais nos pulmões. Exames laboratoriais mostram elevação de BNP e ecocardiograma revela fração de ejeção preservada (65%), com sinais de hipertrofia ventricular esquerda. O paciente está estável, mas com sinais de descompensação da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP). Sobre a associação entre obesidade e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP), qual das alternativas está CORRETA?
Obesidade + ICFEP → Semaglutida melhora sintomas e capacidade funcional (STEP-HFpEF).
A obesidade é um fenótipo específico da ICFEP. Evidências recentes demonstram que agonistas de GLP-1 reduzem sintomas e melhoram a qualidade de vida significativamente.
A ICFEP relacionada à obesidade é caracterizada por um estado pró-inflamatório sistêmico, expansão do volume plasmático e disfunção microvascular. O manejo clássico foca no controle da volemia e no uso de iSGLT2 (classe I). No entanto, a obesidade atua como um driver patológico central.\n\nO advento dos agonistas de GLP-1, como a semaglutida, trouxe uma mudança de paradigma, tratando não apenas a comorbidade, mas impactando diretamente nos desfechos de qualidade de vida e capacidade funcional da insuficiência cardíaca. É essencial que o cardiologista moderno compreenda essa integração metabólica.
O tecido adiposo expressa receptores de clareamento (NPR-C) que removem os peptídeos natriuréticos da circulação. Portanto, pacientes obesos apresentam níveis de BNP/NT-proBNP menores do que o esperado para o seu grau de congestão hemodinâmica, o que pode retardar o diagnóstico de insuficiência cardíaca.
O estudo mostrou que em pacientes com ICFEP e obesidade, a semaglutida 2,4 mg levou a uma melhora significativa no escore de sintomas (KCCQ-CSS), maior perda de peso e aumento na distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos em comparação ao placebo.
Não há uma dose fixa por kg (como 1-2 mg/kg) estabelecida como regra absoluta, mas pacientes obesos frequentemente requerem doses maiores de diuréticos de alça devido ao maior volume de distribuição e alterações na farmacocinética renal, devendo a dose ser titulada conforme a resposta clínica.
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