CHN - Complexo Hospitalar de Niterói (RJ) — Prova 2020
Assinale a afirmativa CORRETA:
ICFEP = sintomas IC + FE preservada + hipertrofia VE + aumento AE + BNP menos elevado que ICFER.
A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) compartilha sintomas com a ICFER, mas se distingue pela fração de ejeção ≥ 50%, frequentemente associada a disfunção diastólica, hipertrofia ventricular esquerda e aumento do átrio esquerdo, com níveis de BNP geralmente mais baixos que na ICFER.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa caracterizada por sintomas e sinais resultantes de uma anormalidade estrutural ou funcional cardíaca que leva à redução do débito cardíaco e/ou pressões de enchimento elevadas. Ela é classificada principalmente com base na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) em Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER, FEVE < 40-50%) e Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP, FEVE ≥ 50%). A ICFEP é uma condição cada vez mais reconhecida, especialmente em idosos e mulheres, e frequentemente associada a comorbidades como hipertensão, diabetes e obesidade. A ICFEP compartilha muitos sintomas clínicos com a ICFER, como dispneia e fadiga, mas sua fisiopatologia predominante é a disfunção diastólica, ou seja, uma dificuldade do ventrículo esquerdo em relaxar e se encher adequadamente. Isso frequentemente se manifesta com hipertrofia ventricular esquerda e aumento do átrio esquerdo, achados comuns em exames de imagem. Os níveis de peptídeos natriuréticos (BNP ou NT-proBNP), embora possam estar elevados na ICFEP, são geralmente menos expressivos do que na ICFER, o que pode dificultar o diagnóstico em alguns casos. O tratamento da IC é complexo e visa aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbimortalidade. Na ICFER, inibidores da ECA (ou BRAs), betabloqueadores, antagonistas dos receptores de mineralocorticoides e, mais recentemente, inibidores de SGLT2 e sacubitril/valsartana, são a base do tratamento. Na ICFEP, o manejo é mais focado no controle das comorbidades e no alívio sintomático, embora os inibidores de SGLT2 também tenham demonstrado benefício. A ausculta cardíaca pode revelar B3 em disfunção sistólica (ICFER) e B4 em disfunção diastólica (ICFEP), mas a B3 não é exclusiva de disfunção diastólica e a B4 não indica sobrecarga de volume grave, mas sim uma complacência ventricular reduzida.
Ambas apresentam sintomas de insuficiência cardíaca (dispneia, fadiga). A ICFER é caracterizada por fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) < 40-50% e disfunção sistólica. A ICFEP tem FEVE ≥ 50% e é predominantemente causada por disfunção diastólica, com hipertrofia ventricular esquerda e aumento do átrio esquerdo.
O BNP é liberado em resposta ao estresse de parede e volume. Na ICFER, há maior dilatação ventricular e estresse de parede sistólico, levando a níveis mais altos de BNP. Na ICFEP, a disfunção é mais diastólica e o estresse de parede pode ser menor ou diferente, resultando em níveis de BNP que, embora elevados, são tipicamente inferiores aos observados na ICFER.
Inibidores da ECA e betabloqueadores são a base do tratamento da ICFER, comprovadamente reduzindo morbidade e mortalidade. Eles atuam remodelando o coração, reduzindo a pós-carga, a frequência cardíaca e a ativação neuro-humoral. Apesar do advento de novas drogas, eles continuam sendo pilares terapêuticos essenciais.
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