Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022
Mulher, 62 anos, com história de hipertensão arterial sistêmica, fibrilação atrial, obesidade, diabetes melito e dislipidemia, procura o pronto-socorro com queixa de dispneia aos pequenos esforços há 1 semana, associada a ortopneia. Refere que os sintomas iniciaram há 2 anos, com dispneia aos esforços moderados. Ao exame físico, apresentava turgêcia jugular ++/++++, ausculta respiratória com crepitações bilaterais em base e edema de membros inferiores bilateralmente, sem demais achados. Realiza ecocardiograma na internação, com átrio e ventrículo esquerdos aumentados de tamanho e fração de ejeção de 55%. Sobre a classificação da insuficiência cardíaca dessa paciente, trata-se de insuficiência cardíaca de
ICFEp confirmada = sintomas/sinais IC + FEVE ≥ 50% + evidência disfunção diastólica/pressões enchimento ↑ (ex: AE/VE aumentados).
A paciente apresenta sintomas e sinais clássicos de insuficiência cardíaca (dispneia, ortopneia, turgência jugular, edema), com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) preservada (55%). A presença de átrio e ventrículo esquerdos aumentados no ecocardiograma sugere disfunção diastólica e aumento das pressões de enchimento, confirmando o diagnóstico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp).
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa caracterizada por sintomas (dispneia, fadiga) e sinais (edema, turgência jugular) causados por uma anormalidade estrutural ou funcional cardíaca que resulta em pressões intracardíacas elevadas e/ou débito cardíaco inadequado em repouso ou durante o esforço. A classificação da IC baseia-se na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), sendo dividida em IC com FEVE reduzida (ICFEr, FEVE < 40%), IC com FEVE levemente reduzida (ICFElr, FEVE 40-49%) e IC com FEVE preservada (ICFEp, FEVE ≥ 50%). A ICFEp é uma forma cada vez mais reconhecida de IC, especialmente prevalente em idosos e mulheres, e frequentemente associada a múltiplas comorbidades como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, obesidade e fibrilação atrial. O diagnóstico de ICFEp requer a presença de sintomas e/ou sinais de IC, uma FEVE preservada (≥ 50%) e evidência objetiva de disfunção diastólica e/ou aumento das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo. Essa evidência pode ser obtida por ecocardiograma (mostrando aumento do átrio esquerdo, hipertrofia ventricular esquerda, padrões de enchimento diastólico anormais) ou por níveis elevados de peptídeos natriuréticos. O tratamento da ICFEp foca no manejo das comorbidades e no controle dos sintomas. Embora não existam terapias que demonstrem reduzir a mortalidade de forma tão robusta quanto na ICFEr, o controle da pressão arterial, do diabetes, da fibrilação atrial e a perda de peso são cruciais. Diuréticos são usados para aliviar a congestão. Novas terapias, como os inibidores do SGLT2, têm mostrado benefício na redução de hospitalizações e eventos cardiovasculares em pacientes com ICFEp, representando um avanço importante no manejo dessa condição complexa.
Os critérios para ICFEp incluem a presença de sintomas e/ou sinais de insuficiência cardíaca, uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) maior ou igual a 50%, e evidência objetiva de disfunção diastólica ou aumento das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo (por exemplo, aumento do átrio esquerdo, disfunção diastólica no ecocardiograma, peptídeos natriuréticos elevados).
A ICFEp é frequentemente associada a comorbidades como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, obesidade, fibrilação atrial, doença renal crônica e doença pulmonar obstrutiva crônica. Essas condições contribuem para a disfunção diastólica e o remodelamento cardíaco.
O ecocardiograma é fundamental para medir a FEVE e avaliar a função diastólica. Em pacientes com ICFEp, ele pode mostrar FEVE preservada, mas com evidências de disfunção diastólica (padrões de enchimento anormais), aumento do átrio esquerdo e hipertrofia ventricular esquerda, indicando aumento das pressões de enchimento.
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