Manejo da Insuficiência Cardíaca Avançada e Paliativismo

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 78 anos, portador de miocardiopatia isquêmica com fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 18%, é atendido em consulta de retorno após a quarta internação por insuficiência cardíaca descompensada nos últimos doze meses. O paciente mantém-se em classe funcional NYHA IV, com dispneia aos mínimos esforços, como vestir-se ou tomar banho, além de episódios frequentes de ortopneia. Atualmente, faz uso otimizado de sacubitril-valsartana, carvedilol, espironolactona e dapagliflozina, nas doses máximas toleradas devido à pressão arterial limítrofe (92/60 mmHg). Relata grande sofrimento existencial e medo de novas internações, enquanto a esposa, sua única cuidadora, apresenta sinais evidentes de exaustão. A função renal mostra creatinina de 1,9 mg/dL (basal de 1,4 mg/dL). Diante desse cenário de insuficiência cardíaca avançada e refratária, assinale a conduta mais adequada para o próximo passo no cuidado deste paciente:

Alternativas

  1. A) Indicação imediata de transplante cardíaco ou implante de dispositivo de assistência ventricular esquerda como terapia de destino para melhora da sobrevida.
  2. B) Encaminhamento para acompanhamento conjunto com equipe de Cuidados Paliativos para manejo de sintomas e planejamento antecipado de cuidados.
  3. C) Manutenção do seguimento exclusivo pela cardiologia, reservando a abordagem paliativa apenas para quando o paciente entrar em fase de terminalidade ativa.
  4. D) Suspensão imediata de toda a terapia medicamentosa modificadora de doença para focar exclusivamente no conforto e manejo de sintomas terminais.

Pérola Clínica

IC avançada refratária + sofrimento → Iniciar Cuidados Paliativos precoces e conjuntos.

Resumo-Chave

Na IC avançada com múltiplas internações e refratariedade clínica, os cuidados paliativos devem ser integrados para otimizar a qualidade de vida e o suporte familiar.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca (IC) avançada é caracterizada por sintomas graves e persistentes, disfunção ventricular severa e episódios frequentes de descompensação. O paciente do caso apresenta marcadores de mau prognóstico: FEVE 18%, múltiplas internações, pressão arterial limítrofe e piora da função renal (síndrome cardiorrenal). Nestes casos, a mortalidade em um ano é elevada. As diretrizes modernas recomendam a transição de um modelo puramente curativo para um modelo de cuidados compartilhados. O encaminhamento para cuidados paliativos permite abordar o sofrimento existencial e a exaustão do cuidador, além de facilitar discussões sobre diretivas antecipadas de vontade (como a desativação de CDI, se houver, ou limites de invasividade). A terapia medicamentosa otimizada deve ser mantida enquanto houver benefício clínico e tolerância hemodinâmica.

Perguntas Frequentes

Quando indicar cuidados paliativos na insuficiência cardíaca?

A indicação de cuidados paliativos na IC deve ser precoce e não restrita à terminalidade. Os critérios incluem: classe funcional NYHA III ou IV persistente apesar do tratamento otimizado, múltiplas internações no último ano (geralmente >2), necessidade de inotrópicos, caquexia cardíaca e sofrimento existencial ou familiar importante. O objetivo é o manejo impecável de sintomas como dispneia e dor, além do suporte psicossocial.

Cuidados paliativos excluem o tratamento cardiológico?

Não. O modelo atual é de cuidados paliativos integrados. O paciente continua recebendo as terapias modificadoras de doença (como betabloqueadores e iSGLT2) conforme tolerado, enquanto a equipe de paliativos foca no controle de sintomas, comunicação de prognóstico e planejamento de metas de cuidado. A suspensão de medicamentos só ocorre se eles causarem mais dano do que benefício ou se não alinharem com os desejos do paciente.

Como abordar a exaustão do cuidador na IC avançada?

A exaustão do cuidador é um critério clínico relevante para a intensificação do suporte paliativo. A equipe deve oferecer suporte social, orientações sobre o manejo domiciliar e discutir o planejamento de cuidados para evitar internações fúteis que sobrecarreguem a família. O acolhimento da esposa, neste caso, é parte integrante do plano terapêutico para garantir a dignidade do paciente e a saúde da cuidadora.

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