UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2021
Na presença de um paciente com insuficiência cardíaca aguda e fração de ejeção reduzida que se encontra quente e úmido, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a melhor estratégia terapêutica visando à redução de mortalidade.
ICA "quente e úmido" com FE reduzida: Otimizar IECA/BRA/ARNI para redução de mortalidade.
Em pacientes com insuficiência cardíaca aguda (ICA) e fração de ejeção reduzida, no perfil "quente e úmido" (congestão sem hipoperfusão), a otimização ou início de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs) é fundamental para a redução da mortalidade a longo prazo, após a estabilização inicial da congestão.
A insuficiência cardíaca aguda (ICA) é uma síndrome clínica grave, caracterizada por início rápido ou piora dos sintomas de insuficiência cardíaca, que requer hospitalização. Pacientes com fração de ejeção reduzida (ICFEr) são particularmente vulneráveis. A classificação hemodinâmica de Forrester e Stevenson divide os pacientes em quatro perfis: quente e seco, quente e úmido, frio e seco, e frio e úmido. O perfil "quente e úmido" indica congestão sem hipoperfusão, sendo o mais comum na apresentação. O manejo inicial do paciente "quente e úmido" foca na redução da congestão com diuréticos de alça (como furosemida) e, se necessário, vasodilatadores endovenosos. No entanto, para a redução da mortalidade a longo prazo em pacientes com ICFEr, é crucial a otimização das terapias modificadoras de doença. Dentre essas terapias, os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs), bloqueadores de receptores de angiotensina (BRAs) ou inibidores da neprilisina e do receptor de angiotensina (ARNIs) são fundamentais. Eles devem ser iniciados ou otimizados assim que o paciente estiver hemodinamicamente estável e euvolêmico, pois atuam no remodelamento cardíaco e na progressão da doença, impactando diretamente a sobrevida. Betabloqueadores e antagonistas de receptores de mineralocorticoides também são essenciais, mas sua introdução deve ser cuidadosa e gradual, após a estabilização da fase aguda.
O perfil 'quente e úmido' indica que o paciente com insuficiência cardíaca aguda apresenta sinais de congestão (úmido), como dispneia e edema, mas não tem sinais de hipoperfusão periférica (quente), como extremidades frias ou hipotensão.
Os IECAs são pilares no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, pois atuam no sistema renina-angiotensina-aldosterona, promovendo vasodilatação, reduzindo a pré e pós-carga, e remodelamento cardíaco reverso, o que comprovadamente reduz mortalidade e hospitalizações.
Betabloqueadores devem ser iniciados ou otimizados apenas após a estabilização do paciente e resolução da congestão, geralmente quando o paciente está euvolêmico e hemodinamicamente estável. Sua introdução precoce em fase aguda pode piorar a congestão ou causar choque cardiogênico.
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