Manejo da IC Aguda Descompensada: Perfil Quente e Úmido

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 62 anos, com histórico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FE 30%), hipertensão arterial e doença arterial coronariana, é admitido no pronto atendimento com queixa de dispneia progressiva nas últimas 48 horas. Ele relata ortopneia e aumento da tosse produtiva, sem dor torácica. Ao exame físico, o paciente apresenta pressão arterial de 100/70 mmHg, frequência cardíaca de 110 bpm, estertores pulmonares bibasais e edema de membros inferiores 2+/4+. A gasometria arterial revela hipoxemia leve, e a radiografia de tórax mostra congestão pulmonar.Qual é o manejo inicial mais adequado para este paciente na emergência?

Alternativas

  1. A) Administrar betabloqueador intravenoso para controle da frequência cardíaca.
  2. B) Iniciar noradrenalina para suporte pressórico devido à hipotensão.
  3. C) Administrar fluidos intravenosos para aumentar a pré-carga.
  4. D) Iniciar diurético intravenoso e vasodilatador para controle dos sintomas de congestão.
  5. E) Iniciar inotrópico intravenoso imediatamente devido à hipotensão.

Pérola Clínica

Paciente com IC aguda 'quente e úmido' (bem perfundido, mas congesto) → tratamento focado em diuréticos IV e vasodilatadores.

Resumo-Chave

O paciente está congesto ('úmido', com estertores e edema), mas com perfusão adequada ('quente', PA limítrofe). O manejo visa aliviar a congestão com diuréticos de alça (furosemida IV) para reduzir a volemia e vasodilatadores (nitroglicerina) para reduzir pré e pós-carga.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca Aguda Descompensada (ICAD) é uma das principais causas de internação hospitalar. O manejo inicial na emergência é guiado pela avaliação do perfil hemodinâmico do paciente, classicamente dividido em 'quente' ou 'frio' (indicando perfusão adequada ou inadequada) e 'seco' ou 'úmido' (indicando ausência ou presença de congestão). O paciente descrito apresenta o perfil mais comum: 'quente e úmido'. O perfil 'quente e úmido' (ou Perfil B de Stevenson) caracteriza-se por sinais de congestão (estertores, edema, ortopneia) na presença de perfusão periférica adequada (pressão arterial preservada, extremidades quentes). O objetivo terapêutico primário é aliviar a congestão. A pedra angular do tratamento é a administração de diuréticos de alça intravenosos, como a furosemida, para promover a remoção de fluidos e reduzir a pré-carga. Associado aos diuréticos, o uso de vasodilatadores intravenosos (ex: nitroglicerina, nitroprussiato) é fundamental. Eles atuam reduzindo tanto a pré-carga (venodilatação) quanto a pós-carga (vasodilatação arterial), o que diminui o trabalho cardíaco e redistribui o fluxo sanguíneo para fora dos pulmões, aliviando rapidamente a dispneia. Inotrópicos são reservados para casos de hipoperfusão ('frio'), e betabloqueadores não devem ser iniciados na fase aguda.

Perguntas Frequentes

Como classificar o perfil hemodinâmico de um paciente com IC aguda?

A classificação de Stevenson usa sinais de congestão (úmido/seco) e perfusão (quente/frio). 'Quente e úmido' (Perfil B) é o mais comum, indicando boa perfusão, mas com congestão. 'Frio e úmido' (Perfil C) indica congestão e má perfusão (choque cardiogênico).

Por que usar vasodilatadores na IC aguda com pressão arterial limítrofe?

Mesmo com PA de 100/70 mmHg, vasodilatadores como a nitroglicerina são benéficos. Eles reduzem a pré-carga (venodilatação) e a pós-carga (arteriodilatação), aliviando a congestão pulmonar e melhorando o débito cardíaco. A administração deve ser cuidadosa e com monitorização pressórica contínua.

Quando um inotrópico é indicado na IC aguda descompensada?

Inotrópicos (ex: dobutamina) são reservados para pacientes com sinais de má perfusão periférica (perfil 'frio'), como hipotensão sintomática, oligúria, ou alteração do nível de consciência, caracterizando o choque cardiogênico (perfil 'frio e úmido' ou 'frio e seco').

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