HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 30 anos, é admitida com queixa de dispneia. Nega febre ou odinofagia. Antecedente de febre reumática e asma. Faz uso de anticoncepcional oral combinado. Ao Exame: FR: 42 irpm, SatO2 84% em ar ambiente, FC: 140 bpm, PA: 140x80 mmHg. POCUS protocolo BLUE com imagem demonstrada a seguir em todos os campos pulmonares.Considerando a imagem, assinale a principal hipótese diagnóstica.
Dispneia + POCUS com linhas B difusas = Edema pulmonar agudo (ICC).
O quadro de dispneia aguda, taquipneia, taquicardia e hipoxemia, em paciente com antecedente de febre reumática (fator de risco para valvopatia e ICC) e uso de anticoncepcional (fator de risco para TEP), com POCUS mostrando linhas B difusas em todos os campos pulmonares, é altamente sugestivo de edema pulmonar agudo por insuficiência cardíaca. As linhas B no POCUS indicam acúmulo de líquido no interstício pulmonar.
A dispneia aguda é uma queixa comum na emergência, e o diagnóstico diferencial pode ser desafiador. A insuficiência cardíaca aguda (ICA) é uma causa frequente, especialmente em pacientes com fatores de risco como febre reumática (que pode levar a valvopatias). O Point-of-Care Ultrasound (POCUS) tem se tornado uma ferramenta indispensável para o residente no manejo da dispneia, permitindo um diagnóstico rápido e preciso à beira do leito. O protocolo BLUE (Bedside Lung Ultrasound in Emergency) é uma abordagem estruturada do POCUS para avaliação da dispneia. A presença de 'linhas B' difusas em múltiplos campos pulmonares é um achado ultrassonográfico altamente sugestivo de edema pulmonar, que é a manifestação pulmonar da ICA. Essas linhas representam o acúmulo de líquido no interstício pulmonar. A ausência de linhas B, por outro lado, pode sugerir outras causas como TEP ou DPOC. O manejo da ICA com edema pulmonar envolve diuréticos, vasodilatadores e, se necessário, suporte ventilatório. O POCUS permite monitorar a resposta ao tratamento, com a redução das linhas B indicando melhora do edema. Para o residente, dominar o POCUS na avaliação da dispneia é crucial para otimizar o tempo de diagnóstico e iniciar a terapia adequada, melhorando os desfechos do paciente.
As linhas B são artefatos hiperecogênicos verticais que se originam da linha pleural e se estendem até o final da tela do ultrassom, movendo-se com a respiração. Elas indicam acúmulo de líquido no interstício pulmonar, sendo um sinal de edema pulmonar.
O POCUS, especialmente o protocolo BLUE, permite avaliar rapidamente a presença de linhas B (edema pulmonar), derrame pleural, pneumotórax, consolidações e trombose venosa profunda, auxiliando na distinção entre causas cardíacas, pulmonares e tromboembólicas de dispneia.
Na insuficiência cardíaca aguda, o POCUS pulmonar tipicamente revela a presença de múltiplas linhas B difusas em ambos os campos pulmonares, indicando edema pulmonar intersticial ou alveolar. Pode haver também derrame pleural e disfunção ventricular no ecocardiograma.
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