Miocardite Aguda: Diagnóstico e Sinais de Insuficiência Cardíaca

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 20 anos, previamente assintomático. Há 20 dias refere dispneia que progrediu em poucos dias para aos mínimos esforços, acompanhada de fadiga e edema que evoluiu para anasarca. Refere quadro ""gripal"" há 30 dias, tratado com sintomáticos. Exame físico: edema depressível, indolor, ++/++++ bilateralmente, em membros inferiores até joelhos; jugulares distendidas até 8 cm acima do manúbrio esternal, em decúbito a 45 graus, com variação respiratória normal. Temperatura axilar = 36,5 ºC; FC = 98 bpm, rítmico, precórdio sem anormalidades, estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares posteriormente. ECG com alterações difusas de repolarização ventricular. RX de tórax com ICT = 0,65 e congestão para-hilar bilateral. ECG (DII) (figura A) e registro invasivo de pressão arterial sistêmica (mmHg) no gráfico (figura B). Qual é a alteração fisiopatológica mais provável?

Alternativas

  1. A) Derrame pericárdico de grande volume.
  2. B) Hipertensão pulmonar emboligênica.
  3. C) Aumento do fluxo pulmonar por cardiopatia congênita.
  4. D) Disfunção biventricular sistólica grave.

Pérola Clínica

Jovem com quadro gripal prévio + IC aguda grave (anasarca, dispneia, cardiomegalia) → Disfunção biventricular sistólica (miocardite).

Resumo-Chave

O quadro clínico de um jovem previamente saudável, com história de infecção viral recente, que desenvolve rapidamente dispneia, fadiga, edema e sinais de congestão pulmonar e sistêmica (anasarca, jugulares distendidas, estertores, ICT aumentado) é altamente sugestivo de insuficiência cardíaca aguda. As alterações difusas de repolarização no ECG e a cardiomegalia no RX reforçam a hipótese de disfunção miocárdica grave, provavelmente biventricular e sistólica, como na miocardite aguda.

Contexto Educacional

A miocardite aguda é uma inflamação do miocárdio que pode levar a disfunção cardíaca e insuficiência cardíaca aguda, especialmente em indivíduos jovens e previamente saudáveis. Frequentemente, é desencadeada por infecções virais, como o quadro "gripal" mencionado no enunciado, que precede o início dos sintomas cardíacos em semanas. É uma causa importante de cardiomiopatia dilatada de início recente e deve ser considerada em pacientes com insuficiência cardíaca aguda sem causa aparente. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória e imune contra o tecido miocárdico, resultando em dano aos cardiomiócitos. Clinicamente, manifesta-se com dispneia progressiva, fadiga, edema e sinais de congestão pulmonar e sistêmica, como jugulares distendidas e estertores crepitantes. Exames complementares como ECG (alterações de repolarização, arritmias), RX de tórax (cardiomegalia, congestão) e ecocardiograma (disfunção ventricular, dilatação) são cruciais para o diagnóstico. O tratamento da miocardite aguda é primariamente de suporte, visando estabilizar a insuficiência cardíaca com diuréticos, inibidores da ECA/BRA e betabloqueadores, conforme tolerância. Em casos graves, pode ser necessário suporte circulatório mecânico. O prognóstico é variável, com alguns pacientes se recuperando completamente, enquanto outros evoluem para cardiomiopatia dilatada crônica ou necessitam de transplante cardíaco. A biópsia endomiocárdica é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo, mas nem sempre é realizada devido à sua invasividade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da miocardite aguda?

A miocardite aguda pode se apresentar com dispneia progressiva, fadiga, dor torácica atípica, palpitações e sinais de insuficiência cardíaca, como edema periférico, congestão pulmonar e distensão jugular, frequentemente precedida por um quadro viral.

Como o ECG e o RX de tórax auxiliam no diagnóstico da miocardite aguda?

O ECG pode mostrar alterações difusas de repolarização, arritmias ou bloqueios, enquanto o RX de tórax pode revelar cardiomegalia (ICT aumentado) e sinais de congestão pulmonar, como infiltrados intersticiais ou alveolares, indicando disfunção miocárdica e sobrecarga de volume.

Qual a principal alteração fisiopatológica na miocardite aguda que leva à insuficiência cardíaca?

A miocardite aguda causa inflamação e necrose dos miócitos, resultando em disfunção sistólica e/ou diastólica do ventrículo esquerdo, e frequentemente do direito. Essa disfunção biventricular leva à redução do débito cardíaco e ao aumento das pressões de enchimento, culminando nos sintomas de insuficiência cardíaca congestiva.

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