FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Em relação aos quadros de insuficiência cardíaca, assinale a alternativa correta.
Perfil B (quente e úmido) em IC aguda = congestão + boa perfusão → diuréticos são a base do tratamento.
Na insuficiência cardíaca aguda, a classificação hemodinâmica (perfis A, B, C, L) orienta a conduta. Pacientes com perfil B (quente e úmido) apresentam sinais de congestão, mas boa perfusão periférica, sendo os diuréticos a principal intervenção para aliviar a sobrecarga volêmica.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa que resulta da incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo. Na apresentação aguda, a avaliação hemodinâmica é crucial para guiar o tratamento. A classificação de Forrester, ou os perfis clínicos de 'quente/frio' e 'úmido/seco', categoriza os pacientes com base na perfusão periférica e na presença de congestão, permitindo uma abordagem terapêutica direcionada. O perfil B, 'quente e úmido', é o mais comum na IC descompensada, caracterizado por boa perfusão (extremidades quentes, sem sinais de hipoperfusão) e sinais de congestão (dispneia, ortopneia, edema, turgência jugular). Pacientes com perfil B se beneficiam primariamente da redução da sobrecarga volêmica. Os diuréticos de alça, como a furosemida, são a pedra angular do tratamento, visando aliviar a congestão pulmonar e sistêmica, melhorando a dispneia e o conforto do paciente. A otimização da dose e a monitorização da resposta diurética são essenciais. Outras terapias podem incluir vasodilatadores, se a pressão arterial permitir, para reduzir a pré e pós-carga. É importante notar que a dosagem isolada de peptídeos natriuréticos (BNP ou NT-proBNP) não confirma o diagnóstico de IC, mas é uma ferramenta valiosa. Um BNP < 100 pg/L ou NT-proBNP < 300 pg/L (com ajustes para idade) tem um alto valor preditivo negativo, sendo útil para *excluir* IC em pacientes com dispneia. Valores elevados, por outro lado, sugerem IC, mas podem ser influenciados por outras condições. O oxigênio é indicado apenas para pacientes hipoxêmicos, e a reposição volêmica é contraindicada em pacientes congestos (perfis B e C).
Os perfis hemodinâmicos são classificados em 'quente' (bem perfundido) ou 'frio' (hipoperfundido) e 'úmido' (congestão) ou 'seco' (sem congestão). Isso gera quatro perfis: A (quente e seco), B (quente e úmido), C (frio e úmido) e L (frio e seco), que guiam a terapia.
Pacientes com perfil B (quente e úmido) apresentam sinais de congestão (dispneia, edema, turgência jugular) devido à sobrecarga volêmica, mas mantêm boa perfusão periférica. Os diuréticos são fundamentais para reduzir a pré-carga, aliviar a congestão e melhorar os sintomas respiratórios e edematosos.
Níveis elevados de BNP e NT-proBNP são fortes indicadores de insuficiência cardíaca. No entanto, um BNP < 100 pg/L ou NT-proBNP < 300 pg/L (com variações por idade) tem alto valor preditivo negativo, sendo útil para *excluir* o diagnóstico de IC em pacientes com dispneia de causa incerta. Valores isolados não confirmam, mas auxiliam no diagnóstico.
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