UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025
Cleberson, 45 anos, coveiro, procurou pronto socorro com queixa de dispneia aos esforços, inchaço nas pernas e dificuldade para dormir por angústia no peito e falta de ar. Sabe-se hipertenso desde os 30 anos, em exame médico admissional. Nunca procurou tratamento porque se sentia bem, mas no último ano procurou a emergência duas vezes, pois sua pressão estava acima de 200/120. Está em uso de losartana 50mg/dia, e hidroclorotiazida, 25 mg. Ao exame físico, apresenta ausculta pulmonar com crepitantes bibasais e sibilância difusa; ausculta cardíaca com ritmo regular, bulhas normofonéticas, presença de B3 e sopro 2+ audível no 5o espaço intercostal esquerdo com irradiação para o dorso; ictus palpável no 6o espaço intercostal esquerdo, duas polpas digitais; edema de membros inferiores (MMII) 2+, extremidades pouco aquecidas e perfusão capilar de 3 s. Quando submetido ao ECG de repouso na unidade de saúde, apresentou o seguinte traçado: Com base no caso acima, responda. Qual o diagnóstico?
Insuficiência Cardíaca = incapacidade do coração de bombear sangue para suprir demandas metabólicas.
A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue em quantidade suficiente para atender às necessidades metabólicas do corpo, ou de fazê-lo apenas com pressões de enchimento elevadas. O diagnóstico é multifatorial, envolvendo sintomas, exame físico e exames complementares.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica progressiva e complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo ou de fazê-lo apenas com pressões de enchimento elevadas. É uma das principais causas de hospitalização e mortalidade em adultos, com prevalência crescente devido ao envelhecimento populacional e à melhoria no tratamento de outras doenças cardiovasculares. A compreensão da IC é crucial para residentes de diversas especialidades, dada sua alta morbimortalidade e impacto na qualidade de vida dos pacientes. A fisiopatologia da IC envolve uma complexa interação de mecanismos neuro-hormonais, remodelação cardíaca e disfunção miocárdica. Pode ser causada por diversas condições, como doença arterial coronariana, hipertensão arterial, valvulopatias, cardiomiopatias e arritmias. O diagnóstico da IC baseia-se em uma combinação de sintomas (dispneia, fadiga, edema), sinais (estertores pulmonares, turgência jugular, edema periférico) e exames complementares, como ecocardiograma (para avaliar a função ventricular e estrutura cardíaca), eletrocardiograma, radiografia de tórax e biomarcadores (BNP/NT-proBNP). O tratamento da IC é multifacetado, visando aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida. Inclui medidas farmacológicas (inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores, antagonistas do receptor de mineralocorticoides, inibidores de SGLT2), dispositivos (CDI, ressincronização cardíaca) e, em casos selecionados, transplante cardíaco. Residentes devem dominar o diagnóstico precoce, a estratificação de risco e o manejo terapêutico otimizado da IC para oferecer o melhor cuidado aos pacientes.
Os sintomas incluem dispneia (especialmente aos esforços e ortopneia), fadiga, edema de membros inferiores, tosse noturna, e distensão abdominal. Em casos avançados, pode haver dispneia paroxística noturna e ganho de peso inexplicável.
O ecocardiograma é fundamental para avaliar a função ventricular e a etiologia. Outros exames incluem eletrocardiograma, radiografia de tórax, peptídeos natriuréticos (BNP/NT-proBNP) e exames laboratoriais gerais para identificar causas e comorbidades.
A insuficiência cardíaca é classificada pela fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) em com FEVE reduzida (ICFEr), com FEVE levemente reduzida (ICFElr) e com FEVE preservada (ICFEp). Também é classificada funcionalmente pela NYHA (New York Heart Association) em classes I a IV.
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