SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2022
Qual a conduta mais apropriada para um paciente magro de 68 anos com insuficiência aórtica importante, assintomático e fração de ejeção igual a 50%?
IAo importante assintomática + FE ≤ 50% (ou ≤ 55% em alguns guidelines) → Cirurgia de troca valvar aórtica.
Mesmo em pacientes assintomáticos com insuficiência aórtica importante, a presença de disfunção ventricular esquerda (fração de ejeção ≤ 50%) é uma indicação clara para cirurgia de troca valvar aórtica. A intervenção precoce previne a progressão da disfunção e melhora o prognóstico.
A insuficiência aórtica (IAo) é uma valvopatia caracterizada pelo refluxo de sangue da aorta para o ventrículo esquerdo (VE) durante a diástole, resultando em sobrecarga de volume do VE. Pode ser aguda ou crônica, e sua etiologia varia de doenças degenerativas a endocardite e doenças do tecido conjuntivo. A IAo importante crônica leva a uma dilatação progressiva do VE e, eventualmente, à disfunção sistólica. A fisiopatologia envolve a adaptação do VE à sobrecarga de volume através da dilatação e hipertrofia excêntrica. Inicialmente, os pacientes podem permanecer assintomáticos por muitos anos. O diagnóstico é feito por ecocardiograma, que quantifica a gravidade do refluxo e avalia a função e as dimensões do VE. A suspeita deve surgir em pacientes com sopro diastólico em foco aórtico, pulsos amplos e pressão de pulso aumentada. O tratamento da IAo importante é cirúrgico (troca valvar aórtica) e as indicações são cruciais para o prognóstico. Pacientes sintomáticos (dispneia, angina, síncope) têm indicação cirúrgica clara. Para pacientes assintomáticos, a indicação é baseada em parâmetros objetivos de disfunção ou dilatação do VE. Uma fração de ejeção do VE ≤ 50% (ou ≤ 55% em alguns guidelines mais recentes) é uma indicação de Classe I para cirurgia, mesmo na ausência de sintomas, pois reflete um estágio de disfunção miocárdica que, se não tratado, pode se tornar irreversível. A cirurgia por cateter (TAVI) é geralmente reservada para estenose aórtica, mas novas abordagens para IAo estão em estudo.
As indicações incluem pacientes sintomáticos, pacientes assintomáticos com disfunção ventricular esquerda (FE ≤ 50%), dilatação ventricular esquerda progressiva (DVE > 50 mm ou DVE > 25 mm/m²), ou quando a cirurgia é realizada por outra condição cardíaca.
Uma fração de ejeção de 50% ou menos em pacientes com insuficiência aórtica importante, mesmo assintomáticos, indica que o ventrículo esquerdo já está sofrendo sobrecarga crônica e começando a falhar. A intervenção nesse estágio pode reverter ou estabilizar a disfunção e melhorar os resultados a longo prazo.
Postergar a cirurgia pode levar à progressão da disfunção ventricular esquerda, tornando-a irreversível, aumentando o risco cirúrgico e piorando o prognóstico pós-operatório, com maior incidência de insuficiência cardíaca e mortalidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo