USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher, 43 anos, branca, queixa-se de dispneia aos esforços, com piora progressiva há 4 meses, atualmente classe funcional IlI da NYHA, associadamente a ortopneia e edema de tornozelos. Há 1 semana procurou atendimento médico devido a piora dos sintomas. Exame físico, FC: 94 bpm; FR: 22 ipm; PA:145 x 60 mmHg, ausculta pulmonar com estertores bibasais, ictus cordis no 6º espaço intercostal na linha axilar anterior com duas polpas digitais e edema 2+/4+ ate joelhos bilateralmente, sopro cardíaco com epicentro em foco aórtico. Distensão abrupta e colapso rápido dos pulsos femorais e braquiais. Pulsações capilares observadas nos leitos ungueais. De acordo com a principal hipótese diagnóstica, qual fonograma melhor representa a ausculta cardíaca dessa paciente?
Insuficiência aórtica grave → sopro diastólico, pulso de Corrigan, pulso de Quincke e pressão de pulso ampla.
A insuficiência aórtica crônica leva a sobrecarga de volume e dilatação do ventrículo esquerdo, resultando em sinais como ictus desviado, sopro diastólico e sinais periféricos de hiperfluxo e colapso rápido, como o pulso de Corrigan e Quincke, além de pressão de pulso ampla.
A insuficiência aórtica (IA) é uma valvopatia caracterizada pelo refluxo de sangue da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole. Sua etiologia pode ser degenerativa, reumática, infecciosa ou associada a doenças do tecido conjuntivo. A IA crônica, como no caso da questão, evolui lentamente, permitindo que o ventrículo esquerdo se adapte através de dilatação e hipertrofia, o que inicialmente mantém o débito cardíaco, mas eventualmente leva à disfunção ventricular e sintomas de insuficiência cardíaca. É uma condição importante para a prática clínica e provas de residência, exigindo reconhecimento dos sinais e sintomas característicos. O diagnóstico da insuficiência aórtica baseia-se na história clínica, exame físico e exames complementares. No exame físico, a ausculta de um sopro diastólico em decrescendo no foco aórtico é patognomônica. Sinais periféricos como o pulso de Corrigan (pulso em martelo d'água) e o pulso de Quincke (pulsação capilar) são indicativos de IA grave, refletindo a grande pressão de pulso. A pressão arterial com pressão diastólica baixa e pressão sistólica normal ou elevada resulta em uma pressão de pulso ampla. O ecocardiograma é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e a função ventricular. O tratamento da insuficiência aórtica depende da gravidade e da presença de sintomas. Pacientes assintomáticos com IA leve a moderada podem ser acompanhados clinicamente. No entanto, em casos de IA grave sintomática ou com disfunção ventricular esquerda, a intervenção cirúrgica (troca ou reparo da valva aórtica) é indicada. O manejo clínico visa controlar a pressão arterial e os sintomas de insuficiência cardíaca. O conhecimento aprofundado da IA é crucial para residentes, pois permite o diagnóstico precoce e a tomada de decisão terapêutica adequada, impactando diretamente o prognóstico do paciente.
Os principais sinais incluem dispneia aos esforços, ortopneia, edema de tornozelos, pressão de pulso ampla, ictus cordis desviado, sopro diastólico em foco aórtico, pulso de Corrigan (distensão abrupta e colapso rápido dos pulsos) e pulsações capilares (pulso de Quincke).
A insuficiência aórtica causa pressão de pulso ampla devido ao aumento do volume sistólico (para compensar o refluxo diastólico) e à queda acentuada da pressão diastólica, resultante do refluxo de sangue da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole.
O ictus cordis desviado para baixo e para a esquerda, com duas polpas digitais, indica hipertrofia e dilatação do ventrículo esquerdo, uma consequência da sobrecarga crônica de volume imposta pela regurgitação aórtica.
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