Insuficiência Aórtica: Achados no Exame Físico

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021

Enunciado

Considere que uma mulher, 35 anos de idade, queixa-se de enxaqueca, apresenta sinais neurológicos de nistagmo e está afebril. Ao aferir sua pressão arterial em aparelho manual, não é possível auscultar a fase de silêncio (como apresentado na imagem), não sendo possível, assim, estabelecer a pressão diastólica, mesmo realizando a medição em outro membro: Nesse caso, qual é a hipótese diagnostica?

Alternativas

  1. A) Estenose mitral.
  2. B) Síndrome do roubo da subclávia.
  3. C) Regurgitação aórtica.
  4. D) Rigidez arterial.

Pérola Clínica

Sons de Korotkoff persistentes até 0 mmHg + Pressão divergente = Insuficiência Aórtica Grave.

Resumo-Chave

Na insuficiência aórtica grave, o refluxo de sangue para o ventrículo esquerdo gera um estado hiperdinâmico, mantendo a artéria pulsátil mesmo com o manguito desinsuflado.

Contexto Educacional

A insuficiência aórtica (IA) caracteriza-se pelo fechamento incompleto da valva aórtica, permitindo o refluxo sanguíneo da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole. Isso leva a uma sobrecarga de volume e pressão no VE. Cronicamente, o VE se dilata e hipertrofia para manter o débito cardíaco. Os achados periféricos são clássicos e decorrem da rápida queda da pressão aórtica na diástole e do grande volume sistólico. O diagnóstico definitivo é ecocardiográfico, mas a semiologia fornece pistas cruciais sobre a gravidade da lesão valvar.

Perguntas Frequentes

Por que os sons de Korotkoff não somem na insuficiência aórtica?

Em casos de insuficiência aórtica grave, o volume sistólico é muito alto e a resistência periférica cai, criando um fluxo turbulento persistente. Isso faz com que as vibrações arteriais (sons de Korotkoff) sejam audíveis mesmo sem pressão externa do manguito, às vezes até o nível de 0 mmHg.

O que é pressão de pulso divergente?

É o aumento da diferença entre a pressão sistólica e a diastólica (ex: 160/40 mmHg). Na insuficiência aórtica, a sistólica sobe pelo grande volume ejetado e a diastólica cai pelo refluxo do sangue da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole.

Quais outros sinais periféricos sugerem insuficiência aórtica?

Além da pressão divergente, observam-se o pulso em martelo d'água (Corrigan), o sinal de Musset (oscilação da cabeça com o batimento), o sinal de Quincke (pulsação capilar no leito ungueal) e o sinal de Müller (pulsação da úvula).

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