PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024
Homem, 41 anos de idade, dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por sintomas de dispneia aos esforços e fadiga progressiva, há cerca de 4 meses. Inicialmente, as queixas eram aos esforços moderados e agora ocorrem mesmo em repouso. Ele relata ainda palpitações. Nega febre, sudorese noturna, ou perda de peso; ao exame, PA: 130x80mmHg, FC: 100bpm. Ausculta com ritmo cardíaco regular, sopro diastólico em foco aórtico, irradiado para vasos cervicais.Indique a opção terapêutica de primeira escolha para este paciente:
IAo grave sintomática em < 50 anos → Substituição valvar por prótese mecânica (maior durabilidade).
Em pacientes jovens com insuficiência aórtica grave sintomática, a prótese mecânica é preferível devido à sua maior durabilidade em comparação com a bioprótese.
A insuficiência aórtica (IAo) crônica gera uma sobrecarga de volume e pressão no ventrículo esquerdo, resultando em dilatação e hipertrofia excêntrica. Quando o paciente evolui com sintomas, como a dispneia aos esforços e palpitações relatadas, o prognóstico sem intervenção cirúrgica é reservado, com alta mortalidade em curto prazo. O exame físico clássico revela o sopro diastólico aspirativo no foco aórtico e foco aórtico acessório. A decisão entre prótese mecânica e biológica é um pilar do tratamento cirúrgico. Para este paciente de 41 anos, as diretrizes da SBC e da AHA/ACC recomendam fortemente a prótese mecânica devido à longevidade quase ilimitada do dispositivo. O manejo medicamentoso com vasodilatadores e diuréticos pode ser usado para estabilização clínica, mas não substitui a necessidade de correção mecânica da valvopatia grave sintomática.
A principal razão é a durabilidade superior. Próteses biológicas em pacientes jovens sofrem calcificação e degeneração estrutural acelerada devido ao metabolismo mais ativo e maior estresse mecânico. A prótese mecânica, embora exija anticoagulação vitalícia com varfarina, oferece uma vida útil significativamente maior, reduzindo drasticamente a necessidade de reoperações complexas e de alto risco ao longo da vida do paciente.
A cirurgia é indicada em pacientes com insuficiência aórtica importante que apresentam sintomas (dispneia, angina, insuficiência cardíaca) ou em pacientes assintomáticos que apresentam sinais de disfunção ventricular esquerda (FEVE < 50%) ou dilatação ventricular importante (diâmetro sistólico final do VE > 50mm ou indexado > 25mm/m²). No caso clínico, o paciente já apresenta sintomas em repouso, indicando urgência cirúrgica.
A maior desvantagem é a necessidade obrigatória de anticoagulação oral permanente com antagonistas da vitamina K (como a varfarina) para prevenir trombose da prótese e eventos tromboembólicos. Isso exige monitoramento regular do RNI (alvo geralmente entre 2,0 e 3,0 para posição aórtica) e impõe restrições dietéticas e riscos de sangramento, o que deve ser discutido detalhadamente com o paciente.
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