Insuficiência Adrenal Secundária por Corticoides: Crise e Manejo

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente, sexo masculino, 16 anos, procurou a Emergência de um hospital com quadro de anorexia, náusea, vômito, dor abdominal, fraqueza, astenia, mialgia, perda de peso e hipotensão postural. Tem diagnóstico de asma grave desde os 6 anos de idade mas, atualmente, abandonou o seguimento. Estava fazendo uso de corticoide inalatório oral de forma irregular e há três meses vem tomando corticoides orais, quando crise, de forma intermitente. Há três dias fez uma viagem para a casa de parentes e não levou suas medicações. Ao exame físico encontrava-se em REG, afebril, desidratado, descorado e hipotenso. Entre as seguintes hipótese diagnósticas, a mais provável para este paciente é

Alternativas

  1. A) insuficiência adrenal secundária.
  2. B) insuficiência adrenal terciária.
  3. C) síndrome de Cushing.
  4. D) doença de Cushing iatrogênica.
  5. E) doença de Addison.

Pérola Clínica

Suspensão abrupta de corticoide crônico → Insuficiência adrenal secundária → Crise adrenal.

Resumo-Chave

O uso prolongado e irregular de corticoides exógenos, como no caso de asma grave, suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. A suspensão abrupta da medicação impede a produção endógena de cortisol, levando à insuficiência adrenal secundária, que pode culminar em crise adrenal com hipotensão, vômitos e fraqueza.

Contexto Educacional

A insuficiência adrenal secundária é uma condição endócrina grave, frequentemente iatrogênica, resultante da supressão crônica do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) pelo uso prolongado de corticosteroides exógenos. Pacientes com doenças crônicas que exigem terapia com corticoides, como asma grave, doenças autoimunes ou transplantados, estão em risco. A interrupção abrupta ou a redução inadequada da dose de corticoides pode precipitar uma crise adrenal, uma emergência médica com alta morbimortalidade, sendo um tema crítico para a formação médica. A fisiopatologia envolve a inibição da secreção de ACTH pela hipófise devido ao feedback negativo dos corticoides exógenos. Isso leva à atrofia da zona fasciculada e reticular do córtex adrenal, resultando em deficiência de cortisol. Ao contrário da insuficiência adrenal primária (doença de Addison), a zona glomerulosa é geralmente poupada, mantendo a produção de aldosterona. Os sintomas da insuficiência adrenal incluem fadiga, fraqueza, anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal, perda de peso e hipotensão postural. Em situações de estresse (infecção, cirurgia, trauma) ou após a retirada abrupta do corticoide, pode ocorrer uma crise adrenal, com choque, hipoglicemia e distúrbios eletrolíticos. O diagnóstico é baseado na história clínica de uso de corticoides e nos sintomas. Testes laboratoriais incluem dosagem de cortisol sérico basal e teste de estímulo com ACTH. O tratamento da crise adrenal é uma emergência, com administração imediata de hidrocortisona intravenosa, fluidos e correção de distúrbios eletrolíticos. A prevenção é fundamental, com a retirada gradual dos corticoides em pacientes em uso crônico e a educação sobre a necessidade de doses de estresse em situações de doença ou cirurgia.

Perguntas Frequentes

O que causa a insuficiência adrenal secundária neste paciente?

A insuficiência adrenal secundária é causada pela supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal devido ao uso prolongado e irregular de corticoides exógenos para asma, seguido pela suspensão abrupta da medicação.

Quais são os sintomas de uma crise adrenal?

Os sintomas incluem hipotensão, fraqueza, astenia, mialgia, anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal e, em casos graves, choque e coma.

Como diferenciar insuficiência adrenal secundária de doença de Addison?

Na insuficiência adrenal secundária, a deficiência é de ACTH, preservando a produção de aldosterona, e não há hiperpigmentação. Na doença de Addison (primária), há destruição da córtex adrenal, afetando cortisol e aldosterona, com hiperpigmentação devido ao aumento compensatório de ACTH.

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