Insuficiência Adrenal em LES: Diagnóstico e Manejo Pós-Corticoide

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher 35 anos, em acompanhamento no ambulatório de reumatologia devido a lúpus eritematoso sistêmico. Em uso contínuo de hidroxicloroquina e ciclofosfamida com retirada da prednisona no último mês. Na consulta de hoje, queixa-se de fadiga, mal estar geral e mialgia generalizada. Ao exame: PA deitada 120/80 | PA em ortostase 100/70 | FC: 75 | Sat: 95%aa | tórax e cardiovascular sem alterações. Exames laboratoriais: Hb 12,5 | Leucócitos 7500 | Plaquetas 350 000 | Sódio 125 mEq/L (135-145) | Potássio: 4 mEq/L (3,5-5,1) | Creatinina: 0,9 mg/dL (0,7-1,1). Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada:

Alternativas

  1. A) Solicitar FAN.
  2. B) Solicitar Anti-SM.
  3. C) Reiniciar prednisona.
  4. D) Iniciar daratumumab.
  5. E) Trocar ciclofosfamida por rituxumab.

Pérola Clínica

LES + retirada prednisona + fadiga/hipotensão/hiponatremia → Insuficiência adrenal secundária = Reiniciar corticoide.

Resumo-Chave

Paciente com LES em uso prolongado de corticoides que apresenta sintomas inespecíficos como fadiga, mal-estar, mialgia, hipotensão postural e hiponatremia após a retirada da prednisona, deve-se suspeitar de insuficiência adrenal secundária. A conduta imediata é reiniciar a prednisona para evitar uma crise adrenal.

Contexto Educacional

A insuficiência adrenal secundária é uma complicação potencialmente grave em pacientes que utilizam corticosteroides de forma prolongada, como ocorre no tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). A supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) pela corticoterapia exógena impede a produção endógena de cortisol, e a retirada abrupta da medicação pode precipitar uma crise adrenal. O quadro clínico de insuficiência adrenal secundária é frequentemente inespecífico, com sintomas como fadiga, mal-estar geral, mialgia e hipotensão postural. A hiponatremia é um achado laboratorial comum, enquanto a hipercalemia é menos frequente que na insuficiência adrenal primária. No caso apresentado, a paciente com LES, em uso prévio de prednisona e com retirada recente, apresenta esses sintomas e hiponatremia, reforçando a suspeita. Diante da forte suspeita de insuficiência adrenal secundária, a conduta mais adequada é a reposição imediata de glicocorticoides, geralmente reiniciando a prednisona ou administrando hidrocortisona, especialmente se houver sinais de instabilidade hemodinâmica. Exames complementares como cortisol sérico e ACTH podem ser solicitados, mas não devem atrasar o tratamento empírico em casos de urgência, que é prioritário para salvar a vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de insuficiência adrenal secundária?

Os sintomas incluem fadiga, mal-estar geral, mialgia, hipotensão postural, hiponatremia e, em casos graves, pode evoluir para choque. A febre é menos comum que na insuficiência primária.

Por que a retirada de prednisona pode causar insuficiência adrenal em pacientes com LES?

O uso prolongado de prednisona suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), levando à atrofia das glândulas adrenais. A retirada abrupta impede que as adrenais produzam cortisol suficiente para as necessidades do corpo.

Qual a conduta inicial para suspeita de insuficiência adrenal secundária?

A conduta mais adequada é reiniciar a prednisona ou administrar hidrocortisona, em doses de estresse se houver instabilidade hemodinâmica, para repor o cortisol deficiente e prevenir uma crise adrenal.

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