Insuficiência Adrenal Secundária: Diagnóstico e Conduta

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 52 anos, está em investigação da etiologia de insuficiência adrenal. Exames laboratoriais: hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) baixo; renina e aldosterona normais. Pode-se afirmar que na continuação da investigação, o mais apropriado é:

Alternativas

  1. A) Dosar anticorpos adrenais.
  2. B) Realizar RM da hipófise.
  3. C) Realizar TC das adrenais.
  4. D) Dosar 17-hidroxiprogesterona.

Pérola Clínica

ACTH baixo + Aldosterona normal = Insuficiência Adrenal Secundária → Investigar Hipófise (RM).

Resumo-Chave

Na insuficiência adrenal secundária, a deficiência de ACTH preserva a zona glomerulosa (sistema renina-angiotensina), mantendo a aldosterona normal, exigindo avaliação por imagem da sela túrcica.

Contexto Educacional

A insuficiência adrenal é uma condição crítica que exige distinção precisa entre causas primárias e secundárias. A apresentação clínica da forma secundária costuma ser mais sutil, sem a hiperpigmentação cutânea característica do Addison (causada pelo excesso de ACTH/MSH). O manejo inicial foca na reposição de glicocorticoides, sendo a hidrocortisona a droga de escolha. A investigação etiológica na forma secundária deve considerar o uso prévio de corticoides exógenos (causa mais comum), tumores hipofisários, radioterapia prévia ou síndrome de Sheehan. A preservação da função mineralocorticoide na forma secundária explica a ausência de hipercalemia e a menor instabilidade hemodinâmica comparada à crise adrenal primária.

Perguntas Frequentes

Por que a aldosterona é normal na insuficiência adrenal secundária?

Diferente do cortisol, a secreção de aldosterona pela zona glomerulosa do córtex adrenal é regulada primariamente pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e pelos níveis séricos de potássio, e não pelo ACTH. Na insuficiência adrenal secundária, o defeito está na produção hipofisária de ACTH, o que leva à atrofia das zonas fasciculada e reticular (reduzindo cortisol e androgênios), mas preserva a função mineralocorticoide da zona glomerulosa.

Qual a diferença laboratorial entre insuficiência adrenal primária e secundária?

Na insuficiência adrenal primária (Addison), há destruição da glândula, resultando em cortisol baixo, ACTH elevado (perda do feedback), e frequentemente hiponatremia com hipercalemia devido à deficiência de aldosterona. Na secundária, o problema é central: o ACTH está baixo ou inapropriadamente normal para um cortisol baixo, e os eletrólitos e a aldosterona costumam estar normais, pois o SRAA está íntegro.

Quando indicar RM de hipófise na investigação adrenal?

A RM de hipófise (ou sela túrcica) está indicada sempre que o diagnóstico bioquímico confirmar insuficiência adrenal secundária (Cortisol matinal baixo com ACTH baixo ou normal). O objetivo é identificar massas tumorais (como adenomas hipofisários), processos infiltrativos (hipofisite), ou alterações estruturais (sela vazia) que possam estar comprometendo a produção de corticotrofina.

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