UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 35 anos, com diagnóstico de hipotiroidismo primário autoimune desde os 30 anos de idade. Em uso correto de levotiroxina sódica 100mcg em jejum, diariamente. Refere que há quatro meses vem apresentando adinamia, perda de peso, cansaço e perda de apetite. Nega outros antecedentes patológicos prévios. Ao exame físico: corada, hidratada e eupneica, peso 55kg, altura 160cm, PA 100x50mmHg, FC 72 bpm, tiroide não palpável, demais aparelhos nada digno de nota. Trouxe resultado recente de TSH e T4livre, ambos dentro da normalidade. Sobre o quadro acima, assinale a alternativa CORRETA
Hipotireoidismo autoimune + sintomas inespecíficos + hipotensão → Investigar insuficiência adrenal (Addison's).
Pacientes com uma doença autoimune, como o hipotireoidismo de Hashimoto, têm maior risco de desenvolver outras doenças autoimunes. A presença de sintomas como adinamia, perda de peso e hipotensão, mesmo com função tireoidiana normal, deve levantar a suspeita de insuficiência adrenal primária, que requer investigação com cortisol e eletrólitos.
A insuficiência adrenal primária, ou Doença de Addison, é uma condição caracterizada pela destruição do córtex adrenal, resultando em deficiência de glicocorticoides e mineralocorticoides. Embora rara na população geral, sua prevalência é maior em pacientes com outras doenças autoimunes, como o hipotireoidismo autoimune (doença de Hashimoto), configurando a Síndrome Poliglandular Autoimune Tipo 2. O reconhecimento precoce é crucial, pois uma crise adrenal pode ser fatal. A fisiopatologia envolve a destruição autoimune das glândulas adrenais, levando à diminuição da produção hormonal. Clinicamente, manifesta-se com sintomas inespecíficos como fadiga, adinamia, perda de peso, anorexia, náuseas, vômitos e dor abdominal. Sinais mais específicos incluem hiperpigmentação cutânea (devido ao aumento do ACTH) e hipotensão arterial. Em pacientes já diagnosticados com hipotireoidismo e em tratamento adequado, o surgimento desses novos sintomas deve sempre levantar a suspeita de uma segunda doença autoimune. O diagnóstico é feito pela dosagem de cortisol sérico (especialmente matinal), ACTH e teste de estímulo com ACTH (Synacthen). O tratamento consiste na reposição hormonal com glicocorticoides (hidrocortisona ou prednisona) e, se necessário, mineralocorticoides (fludrocortisona). É fundamental que residentes e estudantes de medicina estejam atentos a essa associação para evitar atrasos diagnósticos e complicações graves.
Sintomas como adinamia, perda de peso inexplicada, fadiga persistente, hipotensão e perda de apetite, mesmo com TSH e T4 livre normais, devem levantar a suspeita de insuficiência adrenal primária.
A investigação inicial inclui a dosagem de cortisol sérico (especialmente pela manhã), ACTH, eletrólitos (sódio e potássio) e glicemia de jejum para avaliar a função adrenal e os distúrbios metabólicos associados.
Pacientes com hipotireoidismo autoimune (doença de Hashimoto) têm maior predisposição a desenvolver outras doenças autoimunes, como a Doença de Addison, devido à Síndrome Poliglandular Autoimune Tipo 2.
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