HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020
A insuficiência adrenal é um distúrbio caracterizado por alteração da função adrenocortical normal. Considerando essa informação, julgue o item a seguir. A causa mais comum de insuficiência adrenal é a tuberculose.
A causa mais comum de Insuficiência Adrenal Primária (Doença de Addison) no mundo desenvolvido e no Brasil é a Adrenalite Autoimune.
Embora a tuberculose tenha sido historicamente a principal causa de insuficiência adrenal, atualmente a etiologia autoimune responde por cerca de 70-90% dos casos de Doença de Addison em países industrializados.
A insuficiência adrenal é uma condição potencialmente fatal se não diagnosticada, caracterizada pela incapacidade das glândulas adrenais em produzir quantidades adequadas de hormônios esteroides, principalmente cortisol. A distinção entre causas primárias (na glândula) e secundárias (na hipófise/hipotálamo) é o primeiro passo diagnóstico. Historicamente, a tuberculose era a causa predominante de destruição adrenal (adrenalite infecciosa). Contudo, com o advento da terapia antituberculose e mudanças epidemiológicas, a adrenalite autoimune assumiu o protagonismo. Outras causas menos comuns incluem hemorragia adrenal bilateral (síndrome de Waterhouse-Friderichsen), metástases (especialmente de pulmão e mama), infecções fúngicas e o uso de medicamentos que inibem a síntese de cortisol (como o cetoconazol). O reconhecimento da etiologia é fundamental não apenas para o tratamento da deficiência hormonal, mas também para o manejo da doença de base.
Atualmente, a adrenalite autoimune é a causa mais comum de insuficiência adrenal primária (Doença de Addison), sendo responsável por aproximadamente 80% dos casos. Ela pode ocorrer de forma isolada ou como parte de síndromes poliglandulares autoimunes (SPA tipo 1 ou 2). O processo envolve a destruição do córtex adrenal por autoanticorpos, sendo o anticorpo anti-21-hidroxilase o marcador mais frequentemente encontrado. Essa mudança epidemiológica reflete a melhoria no controle de doenças infecciosas e o aumento do diagnóstico de condições autoimunes.
A tuberculose adrenal deve ser suspeitada em pacientes com insuficiência adrenal que vivem ou vieram de áreas endêmicas, ou que possuem história prévia de tuberculose pulmonar ou extrapulmonar. Radiologicamente, na fase aguda da tuberculose, as adrenais podem estar aumentadas de tamanho com áreas de necrose caseosa; cronicamente, é comum observar calcificações nas glândulas adrenais em exames de imagem como tomografia computadorizada. Embora não seja mais a causa principal global, continua sendo uma etiologia infecciosa importante em países em desenvolvimento.
A diferenciação clínica e laboratorial é crucial. Na insuficiência adrenal primária (Doença de Addison), há destruição da própria glândula, levando à deficiência de cortisol e aldosterona, o que causa hiperpigmentação cutânea (devido ao aumento do ACTH e pró-opiomelanocortina) e hipercalemia. Na insuficiência secundária (disfunção hipofisária), os níveis de ACTH estão baixos, não há hiperpigmentação e a secreção de aldosterona costuma estar preservada, pois é regulada principalmente pelo sistema renina-angiotensina, não dependendo do ACTH.
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