Doença de Addison: Diagnóstico e Tratamento Essencial

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 32 anos, relata fraqueza, indisposição, emagrecimento, náuseas e vômitos há 6 meses. Refere também ciclos menstruais irregulares, sendo a data da última menstruação há 3 meses. Ao exame físico: PA = 100 x 60 mmHg em decúbito e 80 x 50 mmHg em ortostase escurecimento de pele e rarefação de pelos pubianos.Considerando a hipótese clínica mais provável, qual é o tratamento?

Alternativas

  1. A) Estrógeno e progestágeno.
  2. B) Levotiroxina.
  3. C) Cabergolina.
  4. D) Prednisona e fludrocortisona.

Pérola Clínica

Hipotensão postural, hiperpigmentação e sintomas constitucionais → suspeitar Doença de Addison.

Resumo-Chave

O quadro clínico de fraqueza, emagrecimento, sintomas gastrointestinais, hipotensão postural, hiperpigmentação cutânea e rarefação de pelos pubianos em mulher jovem é altamente sugestivo de insuficiência adrenal primária (Doença de Addison), que requer reposição de glicocorticoides e mineralocorticoides.

Contexto Educacional

A Insuficiência Adrenal Primária, ou Doença de Addison, é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela destruição do córtex adrenal, resultando em deficiência de cortisol, aldosterona e androgênios adrenais. Afeta ambos os sexos, mas pode ter manifestações específicas em mulheres, como irregularidades menstruais. O diagnóstico precoce é vital para prevenir crises adrenais, que são emergências médicas. A fisiopatologia mais comum é autoimune, onde o sistema imune ataca as glândulas adrenais. A deficiência hormonal leva a sintomas constitucionais (fraqueza, emagrecimento), gastrointestinais, hipotensão (devido à deficiência de aldosterona) e hiperpigmentação cutânea (devido ao aumento do ACTH). A amenorreia e a rarefação de pelos pubianos são sinais de deficiência androgênica adrenal. O tratamento consiste na reposição hormonal vitalícia com glicocorticoides (ex: prednisona ou hidrocortisona) e mineralocorticoides (ex: fludrocortisona). A dose deve ser ajustada em situações de estresse (cirurgias, infecções). O monitoramento regular é necessário para otimizar a terapia e evitar tanto a subdosagem (risco de crise adrenal) quanto a superdosagem (efeitos colaterais dos corticoides).

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Doença de Addison?

Os sinais e sintomas clássicos da Doença de Addison incluem fadiga progressiva, fraqueza muscular, perda de peso, anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal, hipotensão postural, hiperpigmentação cutânea e de mucosas, e desejo por sal. Em mulheres, pode haver amenorreia e rarefação de pelos pubianos/axilares.

Por que ocorre hiperpigmentação na insuficiência adrenal primária?

Na insuficiência adrenal primária, a destruição do córtex adrenal leva à diminuição do cortisol. Isso resulta em um aumento compensatório da secreção de ACTH pela hipófise. Como o ACTH e o hormônio estimulador de melanócitos (MSH) compartilham um precursor (pró-opiomelanocortina), o aumento do ACTH também eleva o MSH, causando hiperpigmentação da pele e mucosas.

Qual é o tratamento de escolha para a Doença de Addison?

O tratamento de escolha para a Doença de Addison é a reposição hormonal. Inclui a administração de glicocorticoides (como prednisona ou hidrocortisona) para repor o cortisol e mineralocorticoides (como fludrocortisona) para repor a aldosterona, corrigindo os distúrbios eletrolíticos e a hipotensão.

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