Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020
Maria Raimunda, 63 anos, diabética, hipertensa com artrite reumatoide, usa insulina NPH duas vezes ao dia com 20 UI pela manhã e 6 UI à noite, e meticorten 20 mgr ao dia. Foi internada com quadro de colecistite aguda de início há cerca de 48 horas e o cirurgião indicou a cirurgia na mesma internação. Quanto à conduta pré-operatória do caso dessa paciente, está CORRETO afirmar que:
Uso crônico de corticoide + cirurgia → Risco de insuficiência adrenal → Hidrocortisona profilática.
Pacientes em uso crônico de corticoides, como a meticorten, têm supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e risco de insuficiência adrenal aguda durante o estresse cirúrgico. A administração profilática de hidrocortisona parenteral é essencial para evitar esta complicação grave.
O manejo perioperatório de pacientes com comorbidades crônicas, como diabetes mellitus, hipertensão e artrite reumatoide em uso de corticoides, é complexo e exige atenção a múltiplos fatores. A paciente em questão utiliza meticorten (um corticoide) diariamente, o que é um ponto crítico a ser considerado no pré-operatório. O uso crônico de corticoides, mesmo em doses moderadas como 20 mg/dia de meticorten, pode levar à supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA). Durante o estresse cirúrgico, o corpo normalmente aumenta a produção de cortisol. Em pacientes com supressão do eixo HHA, essa resposta é inadequada, resultando em insuficiência adrenal aguda, que se manifesta com hipotensão, choque, hipoglicemia e outros sintomas graves. Para prevenir essa complicação, é essencial administrar hidrocortisona parenteral (ou outro corticoide de curta ação) no pré-operatório, durante e após a cirurgia, em doses de estresse. Outros pontos importantes incluem o manejo do diabetes, onde a insulina NPH deve ser ajustada (geralmente reduzida ou suspensa na manhã da cirurgia) e a glicemia monitorada de perto para evitar hipo ou hiperglicemia. Os anti-hipertensivos geralmente são mantidos, exceto os inibidores da ECA/BRA que podem ser suspensos 24h antes. A avaliação de espirometria não é rotineiramente indicada para todos os pacientes, mas sim para aqueles com doença pulmonar significativa.
O uso crônico de corticoides suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, impedindo a produção endógena de cortisol em resposta ao estresse cirúrgico, o que pode levar a uma crise adrenal aguda.
A insuficiência adrenal aguda pode causar hipotensão refratária, choque, hipoglicemia, náuseas, vômitos e colapso cardiovascular, sendo uma emergência médica com alta mortalidade se não tratada.
A dose de insulina NPH geralmente precisa ser ajustada no pré-operatório, com redução ou suspensão da dose da manhã da cirurgia e monitoramento rigoroso da glicemia, para evitar hipoglicemia durante o jejum e hiperglicemia pelo estresse.
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