MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma mulher de 38 anos, com diagnóstico prévio de tireoidite de Hashimoto e vitiligo, é admitida na emergência com quadro de dor abdominal difusa, náuseas intensas e vômitos há 24 horas. Ao exame físico, apresenta-se desidratada, letárgica, com pressão arterial de 82/48 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm e temperatura axilar de 37,2°C. Nota-se hiperpigmentação em cicatrizes prévias e em dobras palmares. Os exames laboratoriais revelam: Glicemia de 58 mg/dL, Sódio de 126 mEq/L, Potássio de 6,1 mEq/L e ureia de 75 mg/dL. Após a infusão rápida de 2.000 mL de soro fisiológico 0,9%, a pressão arterial elevou-se discretamente para 88/54 mmHg. Diante do quadro clínico e laboratorial apresentado, a conduta imediata mais adequada é:
Choque refratário + Hiponatremia + Hipercalemia + Hiperpigmentação → Crise Adrenal.
A crise adrenal é uma emergência médica caracterizada por colapso circulatório refratário a volume, frequentemente precipitada por estresse em pacientes com insuficiência adrenal não diagnosticada.
A crise adrenal é uma manifestação crítica da insuficiência adrenal, muitas vezes inserida em contextos de autoimunidade múltipla (Síndromes Poliglandulares). O quadro clínico de choque hipovolêmico/distributivo que não responde adequadamente à reposição volêmica deve sempre levantar a suspeita, especialmente se acompanhado de hiponatremia, hipercalemia e hipoglicemia. O diagnóstico é clínico-presuntivo na emergência, e o tratamento não deve ser retardado por exames laboratoriais confirmatórios. A hidrocortisona em altas doses supre a necessidade de mineralocorticoides inicialmente, tornando a fludrocortisona desnecessária na fase aguda. A estabilização hemodinâmica depende da restauração dos níveis de glicocorticoides para permitir a ação das catecolaminas nos vasos sanguíneos. A reposição volêmica vigorosa com soro fisiológico é essencial para corrigir a hiponatremia e a depleção de volume extracelular.
Na insuficiência adrenal primária, a perda do feedback negativo do cortisol leva ao aumento do ACTH e do seu precursor, a proopiomelanocortina (POMC). A clivagem da POMC gera o hormônio estimulador de melanócitos (MSH), que se liga aos receptores de melanocortina na pele, resultando em hiperpigmentação, especialmente em áreas de pressão, cicatrizes e mucosas.
A conduta padrão envolve a administração imediata de 100 mg de hidrocortisona por via intravenosa em bólus, seguida de 200 mg nas 24 horas seguintes (seja em doses divididas de 50 mg a cada 6 horas ou infusão contínua). A hidrocortisona é preferida por possuir atividade glicocorticoide e mineralocorticoide intrínseca em doses elevadas.
A insuficiência adrenal primária (Addison) afeta todas as camadas do córtex, reduzindo cortisol e aldosterona, o que causa hiponatremia e hipercalemia. Na secundária (hipofisária), o eixo renina-angiotensina-aldosterona está preservado, portanto, a hipercalemia geralmente está ausente, predominando apenas a hiponatremia dilucional por excesso de ADH.
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