Crise Adrenal: Manejo de Emergência e Reposição

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 54 anos, em tratamento prolongado com prednisona 20 mg/dia para artrite reumatoide, foi recentemente diagnosticado com insuficiência adrenal induzida por glicocorticoides. Ele se apresenta no pronto-socorro com sintomas de fadiga, tontura e hipotensão postural. Após cessação abrupta dos glicocorticoides, desenvolve confusão mental e hipotensão severa, sendo diagnosticado com crise adrenal. Qual a conduta mais adequada neste cenário?

Alternativas

  1. A) Administrar hidrocortisona intravenosa em altas doses e realizar reposição volêmica vigorosa com solução salina.
  2. B) Iniciar tratamento com fludrocortisona e manter a reposição volêmica conservadora.
  3. C) Reduzir a dose de glicocorticoides oralmente e observar o paciente.
  4. D) Administrar dexametasona intravenosa de ação prolongada sem reposição volêmica.
  5. E) Iniciar corticoterapia via oral com prednisona e monitorar resposta após 24 horas.

Pérola Clínica

Crise adrenal → Hidrocortisona IV 100mg + Salina 0,9% vigorosa.

Resumo-Chave

A interrupção abrupta de corticoides em uso crônico suprime o eixo HPA, levando à insuficiência adrenal aguda. O tratamento exige reposição imediata de glicocorticoide e volume para reverter o choque.

Contexto Educacional

A crise adrenal é uma emergência médica caracterizada por deficiência severa de cortisol. Em pacientes com uso crônico de prednisona, a glândula adrenal não consegue responder ao estresse ou à falta do fármaco exógeno. O quadro clínico mimetiza choque séptico ou hipovolêmico, mas é classicamente refratário a aminas sem a reposição de corticoide. A hidrocortisona é o tratamento de escolha por possuir atividade glicocorticoide e mineralocorticoide intrínseca em doses elevadas.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre a crise adrenal após suspensão de corticoide?

O uso prolongado de doses suprafisiológicas de glicocorticoides (geralmente >5mg/dia de prednisona por mais de 3 semanas) causa atrofia das glândulas adrenais por feedback negativo no eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HPA). Quando o fármaco é retirado abruptamente, o corpo não consegue produzir cortisol endógeno suficiente para manter a homeostase, especialmente sob estresse.

Qual o papel da fludrocortisona na insuficiência adrenal secundária?

Na insuficiência adrenal secundária (causada por problemas hipofisários ou supressão por corticoide exógeno), o sistema renina-angiotensina-aldosterona costuma estar preservado. Portanto, a produção de aldosterona é mantida, tornando a reposição de mineralocorticoides (fludrocortisona) geralmente desnecessária, ao contrário da insuficiência primária (Doença de Addison).

Como deve ser feita a reposição volêmica na crise adrenal?

A reposição deve ser vigorosa com solução salina isotônica (soro fisiológico 0,9%) para corrigir a hipotensão e a hipovolemia. Frequentemente, esses pacientes apresentam choque refratário a vasopressores até que o glicocorticoide (hidrocortisona) seja administrado, pois o cortisol é essencial para a sensibilidade vascular às catecolaminas.

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