HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Mulher de 44 anos é portadora de artrite reumatoide e usuária crônica de Prednisona 20 mg/dia, com boa adesão ao tratamento. Admitida com quadro de colecistite aguda com indicação cirúrgica. Na tentativa de evitar insuficiência adrenal aguda, o anestesista administrou hidrocortisona endovenosa na indução anestésica. Quais sinais clínicos e laboratoriais levantariam a suspeita dessa complicação?
Hipotensão refratária + Hiponatremia em usuário crônico de corticoide → Suspeite de Crise Adrenal.
A suspensão ou o estresse cirúrgico em pacientes com supressão do eixo HHA por uso crônico de corticoides pode desencadear crise adrenal, caracterizada por colapso circulatório e distúrbios eletrolíticos.
A insuficiência adrenal aguda é uma emergência médica potencialmente fatal que ocorre quando a demanda de cortisol excede a capacidade de oferta. Em pacientes com artrite reumatoide em uso crônico de prednisona, a glândula adrenal atrofia por falta de estímulo do ACTH. Durante o estresse cirúrgico, a ausência de uma resposta compensatória de cortisol resulta em vasodilatação periférica e choque refratário a vasopressores. O diagnóstico é eminentemente clínico e deve ser suspeitado em qualquer paciente com risco de supressão adrenal que apresente hipotensão inexplicada, náuseas, vômitos ou dor abdominal. O tratamento imediato com hidrocortisona endovenosa e reposição volêmica não deve ser retardado por exames laboratoriais.
Os achados clássicos incluem hiponatremia (devido à perda de mineralocorticoide na primária ou SIADH compensatória na secundária), hipercalemia (apenas na insuficiência primária por falta de aldosterona) e hipoglicemia (pela deficiência de cortisol, que é um hormônio contrarregulador). No caso de supressão por corticoide exógeno, a hiponatremia é comum, mas a hipercalemia pode estar ausente pois o eixo mineralocorticoide costuma ser preservado.
O uso crônico de doses de prednisona ≥ 5-7,5 mg/dia por mais de 3 semanas suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Em situações de estresse agudo, como cirurgias ou infecções, o corpo não consegue aumentar a produção endógena de cortisol, levando à insuficiência adrenal relativa. A administração de hidrocortisona visa mimetizar a resposta fisiológica ao estresse e prevenir o choque distributivo.
A insuficiência primária envolve a destruição da glândula, cursando com deficiência de glicocorticoides e mineralocorticoides, além de hiperpigmentação por excesso de ACTH. A secundária (supressão do eixo) apresenta apenas deficiência de glicocorticoide, com níveis baixos de ACTH, sem hiperpigmentação e geralmente com potássio normal, pois a aldosterona é regulada pelo sistema renina-angiotensina.
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